Tenente-coronel Geraldo Neto é levado para presídio militar Romão Gomes O julgamento do processo administrativo que pode expulsar da Polícia Militar (PM) o tenente‑coronel Geraldo Neto, preso sob a acusação de matar em 18 de fevereiro a esposa, a soldado Gisele Alves, será retomado no próximo dia 14 de setembro em São Paulo. Estão previstos os depoimentos das testemunha de defesa do oficial, que está detido preventivamente no Presídio Romão Gomes da PM, na Zona Norte de São Paulo.

A audiência está marcada para começar às 9h e será feita por videoconferência. O caso tramita no Conselho de Justificação (CJ) da Polícia Militar e começou em abril. O procedimento analisa se o oficial mantém condições morais e funcionais para permanecer na corporação.

Do contrário, poderá perder a patente de tenente-coronel. Em maio já tinham sido ouvidos os depoimentos de três policiais militares amigas da vítima e de um oficial da PM que atendeu à ocorrência no dia do crime. Foram ouvidos uma soldado, um primeiro‑tenente, uma subtenente e uma cabo.

Neto também é acusado de usar o posto para tentar intimidar policiais militares de menor patente durante o atendimento do caso no apartamento do casal, no Centro, onde Gisele foi baleada e depois morreu. Os agentes registraram o comportamento do oficial com câmeras corporais, as body cams. Relatos anteriores à investigação PM Gisele foi baleada e morta pelo marido, tenente-coronel Neto, segundo o MP.

Oficial está detido há mais de um mês no Presídio Militar Romão Gomes (ao centro). Reprodução O primeiro‑tenente afirmou à Polícia Civil que se surpreendeu com o o que viu no apartamento: “estranhou esta ocorrência em específico, pois o local estava mais preservado do que o de costume numa situação dessas”. Já as três policiais amigas de Gisele relataram à investigação um histórico de controle, ciúme e comportamento possessivo por parte do tenente‑coronel.

Segundo os depoimentos, o oficial controlava redes sociais da esposa, monitorava conversas e restringia comportamentos pessoais, como o uso de maquiagem e perfume. As testemunhas também afirmaram que Gisele pretendia se separar após descobrir traições do marido. Todas destacaram ainda que a vítima não apresentava tendências suicidas.

Interrogatório e andamento Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio Ainda não há data definida para o interrogatório de Geraldo Neto no Conselho de Justificação. Se houver tempo, o oficial poderia ser ouvido no próximo dia 14. Procurada pelo g1, a defesa do oficial, feita por Eugênio Malavasi, confirmou a data da retomada do processo administrativo contra seu cliente.

O procedimento ocorre independentemente da esfera criminal e pode resultar na expulsão do oficial mesmo sem condenação criminal. Formado por três coronéis, o colegiado analisa provas, ouve testemunhas e avalia a conduta do militar. Caso conclua pela incompatibilidade, o processo segue para o Tribunal de Justiça Militar (TJM), que pode determinar a perda do posto e da patente.

Acusação criminal O tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a PM Gisele Alves Santana. Reprodução/Redes Sociais Neto é réu na Justiça comum por feminicídio e fraude processual. Ele tem 53 anos.

Gisele tinha 32 e deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. Na próxima terça-feira (8), Geraldo Neto será interrogado presencialmente no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste. Essa audiência é a última etapa antes de a Justiça decidir se o leva a júri popular pelos crimes.

O oficial está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte. Segundo o Ministério Público (MP), Gisele queria se separar, mas o marido não aceitava o fim do relacionamento. A acusação sustenta que ele matou a esposa com um tiro na cabeça e tentou simular um suicídio.

A defesa nega o crime e afirma que a própria Gisele tirou a vida após ele pedir o divórcio. Laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP, no entanto, indicam que o oficial teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime. Se condenado, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.

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