Carros boiam no túnel do Anhangabaú Carros boiaram dentro do Túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, depois da chuva que atingiu a cidade na tarde desta quarta-feira (14). Imagens feitas por motoristas mostram dezenas de carros com a água até a janela e pessoas se pendurando. Há ônibus também submersos (veja acima).

Segundo o Corpo de Bombeiros, há quatro vítimas no túnel. Duas viaturas foram deslocadas para o local. A TV Globo registrou o momento em que pessoas foram resgatadas em um caminhão do Corpo de Bombeiros.

Os carros ficaram batidos e sobrepostos uns sobre os outros e as buzinas dispararam. As imagens se assemelham ao que a cidade vivenciou na década de 90, quando cerca de 160 veículos, entre eles três ônibus, ficaram submersos em 1999. Em 2021, a forte chuva que atingiu a cidade provocou alagamento de uma das pistas sentido Zona Sul do túnel do Vale do Anhangabaú.

O Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, já passou por diferentes intervenções para tentar reduzir os alagamentos na região. Na década de 1980, o projeto de reurbanização do vale também buscava solucionar as enchentes que interrompiam a ligação viária entre as regiões norte e sul da cidade. As obras começaram em 1986, durante a gestão do prefeito Jânio Quadros e tiveram continuidade na administração seguinte.

Em 1991, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, foi criada a Operação Urbana Anhangabaú, que previa a captação de recursos para intervenções na região, incluindo obras relacionadas à macrodrenagem. O sistema era responsável por escoar grandes volumes de água da chuva. Anos depois, a Prefeitura anunciou novas intervenções para tentar reduzir o risco de alagamentos no entorno.

Em 2006, começaram as obras de recuperação e ampliação das galerias do córrego Moringuinho, na região da Avenida 23 de Maio. Em janeiro de 2007, a administração municipal do prefeito Gilberto Kassab anunciou a construção de duas novas galerias. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a meta das intervenções era reduzir em 15% o volume de água que chegava ao córrego Anhangabaú durante as chuvas, diminuindo o risco de alagamento do túnel na região.

Em setembro daquele ano, os trabalhos ainda estavam em andamento, de acordo com a administração municipal. Mais recentemente, o Vale do Anhangabaú passou por uma nova requalificação urbana. As obras começaram em junho de 2019 e foram entregues posteriormente, com mudanças na estrutura e nos espaços de convivência.

A intervenção, no entanto, não deve ser confundida com uma solução definitiva para os problemas de macrodrenagem da região. Em maio de 2026, a Prefeitura divulgou uma proposta de intervenção no sistema de drenagem da região da Avenida Nove de Julho, também com o objetivo de reduzir os alagamentos que atingem o Centro, incluindo o Vale do Anhangabaú.

Carros e ônibus boiam no túnel do Anhangabaú durante chuva forte em SP Arquivo Pessoal Caos no Túnel do Anhangabaú após chuva forte na capital paulista William Santos/TV Globo Toda a cidade de São Paulo entrou em estado de atenção para alagamentos às 15h25 desta quarta, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), órgão da Prefeitura de São Paulo responsável pelo monitoramento das condições meteorológicas e dos riscos relacionados a eventos climáticos na capital.

A Defesa Civil emitiu dois alertas severos e informou sobre a formação de uma chuva intensa, com raios e ventania. Na região central, diversas ruas foram tomadas pela água, que chegou a formar correnteza em alguns pontos. Veículos ficaram ilhados nas proximidades das ruas Amaral Gurgel e General Jardim, na Consolação (vídeo acima).

A água também invadiu área do Terminal Bandeira, no Centro, e escadaria da estação Trianon-Masp, na Avenida Paulista. De acordo com o CGE, a combinação do calor e entrada da brisa marítima estimula a formação de chuva com até forte intensidade dentro da capital.

Chuva reduz velocidade média do trânsito de SP em até 15%; impacto é o maior entre metrópoles da América Latina Imagens do radar meteorológico indicam chuva forte com potencial para queda de granizo entre os bairros de Pirituba, Jaraguá, na Zona Norte, e na Lapa e Pinheiros, na Zona Oeste. Além de queda de granizo, pode ocorrer rajadas de vento e alagamentos intransitáveis.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou 43 mm de chuva na região da Sé e 37 mm em Moema, Zona Sul. Alagamento na Av. Nove de Julho Reprodução Alerta da Defesa Civil de SP Reprodução Previsão para os próximos dias Chuva forte na região central da capital Segundo o CGE, áreas de instabilidade provocam chuva moderada a forte com potencial para formação de alagamentos na madrugada da quinta-feira (15).

O tempo segue instável com curtos períodos de melhoria no decorrer do dia. Entre a tarde e a noite, novamente há expectativa de que os volumes de chuva sejam mais significativos, com mínima de 17°C e máxima de 25°C. Na sexta-feira (16), a propagação de uma frente fria ao largo do litoral paulista vai provocar mais um dia com céu encoberto, tempo chuvoso e por conta do solo encharcado, potencial para formação de alagamentos e deslizamentos de terra nas áreas de risco.

À tarde acontecem os maiores volumes de chuva que podem vir acompanhados de previsão é de trovoadas e rajadas de vento. Os termômetros oscilam entre 18°C e 23°C. Área do Terminal Bandeira, no Centro da capital, alagada após forte chuva Arquivo pessoal Fotos da região oeste da capital paulista ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO