O debate promovido pelo g1 nesta sexta-feira (25) entre candidatos ao Senado pelo Piauí foi marcado por discordâncias quanto aos temas ligados ao combate ao crime organizado, como a redução da maioridade penal e equiparação das facções a grupos terroristas (veja íntegra do debate no vídeo acima) Os candidatos também debateram sobre saúde, turismo, emprego e renda e combate à seca (veja, mais abaixo, vídeos de cada tema).
O debate foi transmitido ao vivo, de Teresina, pelo site e pelos perfis do g1 no YouTube, Tiktok e Instagram. Cinco candidatos participaram do debate: Antônio José Lira (Avante), Jorge Lopes (PSDB), Tiago Junqueira (PL), Antônio Barros (Novo) e Maria Madalena Nunes (PSOL). Os candidatos Júlio César (PSD) e Marcelo Castro (MDB) recusaram o convite para participar.
Já Francinaldo Leão (PSOL), que havia confirmado presença, desistiu. A assessoria de Ciro Nogueira (PP), por sua vez, informou que o candidato não participaria do encontro após a alteração no formato do evento. Leia também Eleições 2026: veja todos os candidatos ao Senado pelo Piauí Eleições 2026 no Piauí Conforme as regras do debate, foram convidados candidatos de partidos e federações com, no mínimo, cinco representantes no Congresso Nacional.
Cada candidato teve 15 minutos para administrar ao longo do debate. Além desse tempo, cada participante teve mais 1 minuto para as considerações finais. Seis temas foram definidos previamente e informados às campanhas e a ordem dos temas foi definida por sorteio antes do início do debate.
combate à seca; trabalho e emprego; incentivo ao turismo; crime organizado; saúde; e segurança pública. Veja detalhes das regras do debate. Primeiro tema: combate à seca Candidatos ao Senado do PI respondem sobre combate à seca O debate iniciou com o tema combate à seca e o candidato Antônio José Lira (Avante), que afirmou que a seca é um problema histórico no Piauí e criticou a dependência de comunidades do abastecimento por carros-pipa.
Segundo ele, os efeitos da estiagem atingem com mais intensidade os agricultores familiares. Como proposta para enfrentar o problema, o candidato defendeu a construção de novas barragens e adutoras e uso real das já existentes para ampliar o acesso à água no estado. Jorge Lopes (PSDB) disse que a seca é um problema histórico no Piauí e criticou o fato de o tema ganhar mais destaque somente em períodos eleitorais.
Ele também destacou que as barragens e adutoras existentes não são suficientes para atender todas as cidades e comunidades rurais do estado. O candidato Tiago Junqueira (PL) declarou que falta vontade política de gestores e lideranças que atuam há anos no Piauí para enfrentar os problemas causados pela seca. Segundo ele, os senadores precisam atuar de forma mais efetiva para ajudar a solucionar a situação.
O candidato também criticou a cobrança de impostos sobre placas solares e afirmou que há recursos disponíveis para financiar políticas de combate à seca, mas falta ação por parte do poder público. Madalena Nunes (PSOL) afirmou que o chamado "combate à seca" tem sido utilizado por grupos políticos para desviar recursos públicos que deveriam ser destinados ao enfrentamento do problema.
Segundo ela, o Piauí possui reservas de água no subsolo, mas faltam políticas públicas voltadas para o aproveitamento desses recursos. A candidata também afirmou que o estado não possui ações efetivas de combate à seca. Entre as propostas apresentadas para reduzir os impactos da estiagem sobre a população, ela defendeu a reestatização da Agespisa.
O candidato Antônio Barros (NOVO) defendeu a adoção de medidas técnicas para reduzir os impactos da seca no Piauí. Entre as propostas apresentadas, ele citou a perfuração de poços, a construção de cisternas e ações de reflorestamento. Antônio Barros afirmou que os senadores devem participar de votações e fiscalizações para garantir que os recursos destinados ao combate à seca sejam aplicados de forma efetiva.
O candidato também defendeu o fim das emendas parlamentares e uma maior fiscalização para assegurar que os recursos cheguem às áreas mais afetadas. Segundo tema: trabalho e emprego Candidatos ao Senado do PI respondem sobre trabalho e emprego Antônio José Lira abriu a segunda rodada e afirmou que os profissionais piauienses são bem qualificados, mas falta emprego pois, segundo ele, os empregos são politizados. Jorge Lopes destacou como objetivo de mandado a reindustrialização do estado.
O candidato também criticou o êxodo profissional. A candidata Madalena Nunes defendeu a revogação da reforma trabalhista. Segundo ela, é necessário também, imediatamente, o fim da escala 6x1 e o fim da reforma previdenciária, que afeta a população mais velha.
O candidato Antônio Barros defendeu a criação de uma cultura trabalhista desde a educação dos jovens, voltado à profissionalização. O candidato também defendeu a flexibilização das leis trabalhistas. Tiago Junqueira comentou sobre sua trajetória como gestor no setor privado e ressaltou a importância da presença de pessoas que já tem essa experiência e "não dependem da máquina pública".
Madalena Nunes candidata criticou a atual distribuição de terras, afirmando que beneficia os grandes nomes do agronegócio e atrapalha a manutenção dos agricultores familiares. Ela também defendeu a reforma agrária. Jorge Lopes mencionou a Lei de Incentivos Fiscais, afirmando que há necessidade de uma atualização no modelo.
Defendeu também a criação de um grande centro industrial na região do Grande Dirceu, em Teresina. Terceiro tema: incentivo ao turismo Candidatos ao Senado do PI respondem sobre incentivo ao turismo No terceiro bloco, o incentivo ao turismo foi discutido pelos candidatos. Os elegíveis destacaram que investimentos devem ser aplicados de forma mais estratégica Antônio Barros defendeu que o Piauí tem grande potencial turístico, com ênfase no turismo religioso.
Ele propôs que combaterá a atividade turística sexual. Ele afirma ainda que melhorar a infraestrutura, como fortalecer a segurança e micro empreendedorismo, pode fortalecer a atividade. Tiago Junqueira destacou que o turismo de negócios precisa ser mais explorado no estado, principalmente na capital.
O candidato detalha que regiões como os cânions do Piauí, litoral e Serra da Capivara devem ser fontes de investimento nesse setor. Maria Madalena defendeu que é necessário valorizar a classe trabalhadora para movimentar o cenário turístico. Para ela, a melhoria das condições de trabalho pode ampliar o turismo interno.
Antônio José Lira propôs que o aumento da linha de crédito pode fortalecer principalmente os pequenos empreendedores no Piauí. Além disso, ele reflete que a falta de politicas publicas, como a falta d'água, prejudicam o turismo. Jorge Lopes disse que a falta d'água é um obstáculo para o desenvolvimento do turismo.
Ele também afirma que o porto do litoral do Piauí pode ser utilizado como estratégia para o aumento dessa atividade econômica. Quarto tema: crime organizado Madalena Nunes declarou muitos empresários são protegidos por políticos na lavagem de dinheiro, e comentou sobre o envolvimento de milicianos e escândalos financeiros envolvendo empresários e políticos. Ela disse que empresas como bets e postos de gasolina precisam ser alvos, não apenas com ações em favelas.
Antônio José Lira disse que o crime organizado no Piauí não se resume ao tráfico, mas também ao domínio territorial, agiotagem, e na política eleitoral, incluindo compra de votos. É necessário, segundo ele, não só prender, mas focar os bens dos criminosos e impedir ações de dentro dos presídios. Antônio Barros disse que todo o arsenal do estado precisa ser usado para combater as facções que estão em todos os estados.
Ele falou ainda ser contra a equiparação dos grupos a terroristas, para que o Exército possa atuar no combate. Ele disse que no contexto atual ainda é a favor da redução da maioridade penal, fim das “saidinhas” para reincidentes. Jorge Lopes disse que o crime organizado precisa de um fundo nacional de Segurança Pública para ser combatido, com integração das polícias de todo o Brasil, uma polícia municipal e que os grupos têm avançado de estados como o Rio de Janeiro e São Paulo para o resto do país.
Os senadores devem destinar emendas para este enfrentamento. A candidata Madalena Nunes disse que defende o fim do orçamento secreto no Senado, assim como a Emenda Pix, que utiliza o crime organizado, segundo ela, para lesar o recurso público. Segundo ela, o crime organizado é organizado pelas elites e grandes empresas.
Ela também se posicionou contra a equiparação de facções a grupos terroristas. Tiago Junqueira disse que propostas nacionais do seu partido focam no desenvolvimento do Nordeste a partir do combate à criminalidade. Antônio José Lira disse ser a favor da redução da maioridade penal e contra a saidinha de presos do sistema prisional.
Segundo ele, a sociedade é vítima do crime e ele deve ser combatido com educação, com escola de tempo integral para evitar que jovens sejam cooptados. Antônio Barros falou que o combate deve focar pequenos e grandes “infratores”, como agentes públicos. Ele disse que o PL antifacção deve avançar focando no combate ao uso de drogas e por isso é necessário o controle social do álcool e outras drogas, para evitar crimes ligados ao consumo, asfixiando o crime organizado a partir de grupos como as bets.
Madalena disse que “homens ricos” organizam o crime, mas as pessoas pobres sofrem com ele. As prisões, segundo ela, reúnem as pessoas pretas e pobres e ricos brancos permanecem soltos. Tiago Junqueira disse que há dois modelos de governo que discordam sobre o combate à criminalidade.
Segundo ele, a segurança é um dos temas foco da população nas ruas e que há modelos que funcionam para resolver o problema no Piauí. Ele voltou a defender o tratamento de facções como terroristas. Quinto tema: saúde Antônio José Lira disse que a saúde pública no estado se encontra em estado crítico, tecendo críticas à Telemedicina.
O candidato também associou o suposto sucateamento na área à corrupção. Antônio Barros disse que o candidato afirmou que é necessário realinhar as políticas públicas voltadas à prevenção, afirmando que pretende criar cinco polos de saúde em cinco municípios no interior do Piauí. Tiago Junqueira afirmou que, por muitas vezes, presenciou pessoas mais carentes buscam os políticos buscando ajuda para adquirir medicamentos e exames e isso sendo utilizado como uma espécie de troca de favores.
Jorge Lopes candidato criticou a atuação dos atuais senadores piauienses e associou uma suposta falta de ações por parte deles como motivo para ausência no debate. Madalena Nunes enalteceu o Sistema Único de Saúde, mas afirmou que ainda falta investimentos para o programa. A candidata defendeu uma maior valorização dos profissionais de saúde.
Antônio José Lira criticou a demora nos atendimentos pelo sistema público de saúde e afirmou que pretende agir para combater a morosidade. Antônio José Lira também defendeu uma maior atenção ao tratamento da saúde mental. Antônio Barros defendeu a adoção de protocolos técnicos para otimizar a utilização dos investimentos na saúde.
O candidato também informou que é necessário a contratação de profissionais da área nos gabinetes. O candidato Jorge Lopes afirmou que pretende destinar emendas para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Ele também disse que após a pandemia, a população teve uma grande piora na saúde mental.
Sexto tema: segurança pública A segurança pública no Piauí foi o sexto e último tema abordado pelos candidatos durante o debate. O candidato Antônio José Lira afirmou que o crime organizado tem avançado em diferentes regiões do Piauí, incluindo o interior e a capital, Teresina. Apesar disso, ele elogiou o trabalho do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
O candidato também chamou atenção para o número de casos de feminicídio registrados no estado e defendeu a criação de políticas públicas voltadas à redução da violência contra as mulheres. O candidato Jorge Lopes afirmou que a população piauiense vive com medo da violência e apontou a falta de policiais militares, principalmente no interior do estado. Segundo ele, muitos jovens estão sendo atraídos pelo tráfico de drogas devido à falta de oportunidades e de políticas públicas voltadas a esse público.
O candidato defendeu a criação de ações que ofereçam alternativas para evitar a entrada de jovens no crime. Jorge Lopes também destacou o aumento dos casos de feminicídio no Piauí e afirmou que, se eleito, pretende destinar emendas parlamentares para fortalecer a estrutura das Delegacias da Mulher. A candidata Madalena Nunes afirmou que, para ampliar a segurança pública, é necessário investir na redução das desigualdades sociais e na redistribuição de renda.
Segundo ela, as mulheres estão entre as principais vítimas da violência no estado. A candidata destacou que houve avanços no combate a crimes como o roubo de celulares, mas afirmou que ainda faltam medidas eficazes para reduzir os casos de feminicídio e estupro no Piauí. Madalena Nunes também defendeu uma maior participação feminina nos espaços de decisão e afirmou que mulheres podem contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
O candidato Antônio Barros afirmou que a segurança pública do Piauí está entre as melhores do país, mas reconheceu que ainda há desafios a serem enfrentados. Segundo ele, é necessário fortalecer a rede de proteção social e ampliar a oferta de empregos para evitar que jovens sejam recrutados por facções criminosas. O candidato também defendeu medidas mais rígidas na área penal, como o fim da saída temporária de presos e mudanças nas regras de progressão de pena.
O candidato Tiago Junqueira defendeu a classificação das facções criminosas como organizações narcoterroristas. Segundo ele, a segurança pública do Piauí tem avanços, mas também enfrenta desafios que precisam ser enfrentados com mais prioridade. O candidato afirmou que o tema deve receber maior atenção das autoridades para ampliar a sensação de segurança da população e fortalecer o combate à criminalidade.
*Esta reportagem está em atualização.
