Rio Branco em setembro de 2026. Ronny Alcântara/Rede Amazônica O governo de Roraima decretou, nesta quarta-feira (2), situação de emergência por causa da estiagem e criou um gabinete integrado para coordenar ações de prevenção e combate aos efeitos do El Niño no estado. As medidas foram assinadas pelo governador interino Soldado Sampaio (Republicanos).
🔎 O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Ele pode alterar a circulação da atmosfera e mudar padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos podem afetar a agricultura, os recursos hídricos e aumentar a ocorrência de eventos extremos.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A estiagem foi classificada pelo governo como de nível II, considerado de intensidade média. O decreto de situação de emergência tem validade de 180 dias e pode ser prorrogado ou revogado antes desse prazo, conforme avaliação técnica da Defesa Civil Estadual. Em julho, Roraima registrou 40 focos de calor, o maior número para o mês desde o início da série histórica, em 1998, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Em agosto, foram 110 focos, 32 a mais que no mesmo mês do ano passado. Agora no g1 Segundo o governo, os rios também registraram níveis abaixo da média histórica em agosto. Dados apresentados apontam que na estação Boa Vista, no rio Branco, o nível chegou a 1,38 metro.
A marca ficou abaixo do menor nível já registrado para um mês de agosto, de 1,39 metro. Na estação Caracaraí, também no rio Branco, o nível de 2,05 metros ficou 62,7% abaixo da média histórica de agosto, de 5,50 metros. Segundo o governador, as medidas foram adotadas de forma preventiva diante das previsões apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) e especialistas.
Os prognósticos apontam para uma estiagem de forte intensidade em Roraima. “Precisamos tomar algumas medidas emergenciais para fazer a devida prevenção e minimizar os danos causados pela estiagem. O setor produtivo já acumula perdas significativas, algo de 30% ou mais na produção de milho, soja e outros grãos.
Também já percebemos nossos rios e igarapés baixando acima da média e identificamos focos de incêndio. Por isso, estamos tomando as devidas providências”, afirmou Soldado Sampaio.
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Em situações de risco, os agentes também poderão entrar em residências e propriedades para prestar socorro ou determinar evacuações. Entre as ações anunciadas está a ampliação do número de brigadistas. Atualmente, 157 profissionais foram contratados, segundo o governo.
Outros 47 devem ser convocados para reforçar as equipes nos municípios. Além do combate aos incêndios, o plano prevê medidas para garantir o abastecimento de água. A Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) deve iniciar processos emergenciais para a perfuração de poços em localidades que já apresentam dificuldades no abastecimento urbano.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Anderson Carvalho de Matos, afirmou que Rorainópolis, no Sul do estado, e Uiramutã e Pacaraima, no Norte, estão entre os municípios que preocupam o governo devido à escassez de água em algumas regiões. “Essa crise hídrica em algumas regiões desses municípios nos traz uma preocupação. Então, nós precisamos, sim, tomar algumas atitudes, tomar algumas ações com muita antecedência para minimizar os impactos no futuro”, afirmou Anderson.
Ponte dos Macuxis, no Rio Branco. Ronny Alcântara/Rede Amazônica Entre as ações previstas também estão a escavação de poços artesianos e a contratação de patrulha mecanizada para auxiliar os produtores entre dezembro e fevereiro. O governo também deve ampliar as ações de prevenção e orientação sobre o uso do fogo, especialmente no campo.
O gabinete integrado é formado por 19 órgãos estaduais e será coordenado pela Casa Civil e pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdc). O grupo será responsável por planejar e executar ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação diante dos efeitos da estiagem.
Entre os órgãos que fazem parte do gabinete estão o Corpo de Bombeiros, a Femarh, a Casa Militar, as polícias Militar e Civil, a Secretaria da Segurança Pública (Sesp), a Secretaria da Saúde (Sesau), a Secretaria da Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), a Secretaria da Infraestrutura (Seinf), a Caer, o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater) e a Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr).
Também integram o grupo a Secretaria de Gestão Estratégica da Administração (Segad), Secretaria das Cidades, Desenvolvimento Urbano e Gestão de Convênios (Secidades), Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes), Secretaria de Comunicação Estadual (Secom), Secretaria dos Povos Indígenas (Sepi), Secretaria de Licitação e Contratação (Selc) e a Companhia de Desenvolvimento do Estado de Roraima (Codesaima). Bombeiro trabalha no controle de queimadas e desmatamento em Roraima, em 2025.
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