Mulher sofreu ferimentos em um dos joelhos. Reprodução Um tenente-coronel do Exército Brasileiro, de 45 anos, é suspeito de agredir a companheira, uma pedagoga de 40 anos, durante uma discussão no bairro Asa Branca, zona Oeste de Boa Vista. O militar passou por audiência de custódia nesta segunda-feira (31) e foi liberado pela Justiça, que concedeu liberdade provisória.
A mulher, que tem um filho de 8 meses com o suspeito, relatou à polícia que sofre há meses violência psicológica e agressões verbais. Os dois mantêm um relacionamento desde 2024. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Procurada pelo g1, a defesa do militar disse que a "questão está sendo tratada na esfera competente e em segredo de justiça, onde todas as provas serão apresentadas no momento processual oportuno, garantindo o pleno exercício do contraditório".
A 1ª Brigada de Infantaria de Selva informou que o caso não se caracteriza como crime militar, conforme o Código Penal Militar, e que a apuração compete as instituições policiais e à Justiça comum de Roraima. Disse ainda que tem adotado todas as medidas cabíveis e colaborado de forma plena e irrestrita com as autoridades estaduais, além de prestar apoio médico e psicológico aos familiares do militar.
"Reitera-se que a 1ª Brigada de Infantaria de Selva não admite condutas que contrariem os valores e os princípios do Exército Brasileiro", ressaltou. O militar é suspeito de empurrar a mulher e derrubá-la no chão. Com a queda, ela sofreu ferimentos nas mãos e em um dos joelhos (veja os detalhes mais abaixo).
Além disso, a vítima contou que em episódios anteriores de violência foi chamada de "burra" e "louca", e que o agressor chegou a dizer que ela tinha "metade do cérebro". Agora no g1 LEIA TAMBÉM: Homem é preso após confessar ter agredido esposa com socos no rosto em Boa Vista Mulher é atingida por bala perdida após casal ser alvo de ataque a tiros em Rorainópolis Prisão no domingo a noite A prisão do tenente-coronel ocorreu no domingo (30), por volta das 21h, após a mulher pedir ajuda e acionar a Polícia Militar.
A vítima contou aos policiais que as discussões com ele começaram na sexta-feira (28), por causa de questões familiares e dos cuidados com o filho. Segundo o relato, o militar se irritou e deu um murro em uma das portas da residência. A discussão voltou durante o jantar de domingo, quando o assunto foi retomado.
Durante a briga, ela derrubou um corpo de vidro que estava sobre uma mesa. O objeto quebrou, ferindo o dedo do militar. Em depoimento à polícia, a mulher afirmou que, em seguida, ele ameaçou denunciá-la e fez um movimento como se fosse dar um soco nela.
Com medo, a pedagoga correu até o portão da casa, mas o militar tomou o celular dela e o controle do portão. Ao tentar abrir o portão manualmente e correr para a rua, ela foi empurrada pelo militar e caiu no chão. A mulher sofreu escoriações nas mãos e em um dos joelhos.
Segundo o depoimento, após a queda, o homem trancou o portão e deixou a mulher do lado de fora. Depois, o suspeito deixou o imóvel em um carro da família, levando o bebê. A vítima pediu ajuda a um homem que passava pela rua.
Ele emprestou o celular para que ela chamasse a Polícia Militar. O militar foi encontrado pela Polícia Militar no local. Aos policiais, ele confirmou que houve uma discussão na sexta-feira e que os atritos recomeçaram durante o jantar de domingo.
O tenente-coronel alegou que a mulher se feriu ao correr para a rua e cair, e que ele pegou o filho e ficou circulando pela região até a chegada da polícia. Ele foi levado à delegacia, onde o caso foi registrado como lesão corporal no contexto de violência doméstica. No depoimento, a mulher também relatou episódios anteriores de violência psicológica e agressões verbais.
Ela disse ainda que começou a fazer acompanhamento psicológico por causa do abalo emocional. Audiência de custódia A Justiça entendeu que a análise da prisão em flagrante não apontou circunstâncias que justificassem a prisão preventiva. Por isso, o tenente-coronel foi liberado após a audiência de custódia.
No entanto, a Justiça determinou medidas cautelares. Entre elas estão a apresentação de comprovante de endereço e documentos de identificação no prazo de 10 dias, além da obrigação de informar qualquer mudança de endereço ou telefone. O militar também deverá comparecer sempre que for intimado para atos do processo e participar do Grupo Reflexivo - Sujeito Homem, um projeto para prevenir a reincidência da violência de gênero.
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
