Empresas de bets pedem para STF derrubar suspensão A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram nesta segunda-feira (28) um pedido, no Supremo Tribunal Federal (STF), para suspender os efeitos da medida provisória de Lula que determinou a proibição imediata da exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets e dos cassinos online no país. As entidades argumentam que a MP foi publicada sem demonstração de urgência.
E que o próprio Executivo havia enviado ao Congresso o projeto de lei que resultou no marco regulatório do setor de 2023, destacando, à época, os benefícios econômicos da legalização. As associações pedem que o STF suspenda integralmente a MP até a deliberação definitiva da medida pelo Congresso ou até o julgamento de ações em curso na Corte, preservando a vigência da legislação anterior e o funcionamento das empresas autorizadas.
🔎Na última sexta-feira (25), às vésperas do primeiro turno das eleições, o presidente Lula, que é candidato a mais um mandato no Palácio do Planalto, anunciou a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho". 🔎🔎Lula também enviou ao Congresso um projeto de lei que estabelece penas para quem explorar, operar ou divulgar as bets e os cassinos virtuais.
Ao tomar as medidas, o petista mencionou o endividamento de famílias e o vício de apostadores em jogos de azar.
LEIA MAIS: Bets foram legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023; histórico Apostas e jogo do tigrinho proibidos: o que você precisa saber Governo arrecadou R$ 15,3 bilhões com bets desde 2025 Governo anuncia proibição das bets no Brasil 3 anos após ter regulamentado as empresas de apostas Jornal Nacional/ Reprodução No pedido endereçado ao ministro Luiz Fux, que relatas ações sobre o tema no STF, as associações sustentam que a interrupção abrupta viola a segurança jurídica.
As operadoras legalizadas afirmam que investiram dezenas de milhões de reais em taxas de outorga (permissões), fixadas em R$ 30 milhões por licença, constituíram reservas financeiras e cumpriram exigências complexas de conformidade e governança para operar no mercado formal, sob a supervisão do Executivo.
Outro ponto levantado pelas entidades é a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro da MP, além da falta de estudos técnicos prévios que dimensionassem: os custos da interrupção para a arrecadação tributária; para o financiamento de políticas públicas nas áreas de esporte, turismo e seguridade social; e para os postos de trabalho formais do setor.
A ANJL e o IBJR também alertam para o risco de migração em massa dos apostadores para o mercado clandestino e não regulado, o qual já representaria uma fatia expressiva das apostas no país. Inconstitucionalidade da MP Em outra frente, a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja) apresentou uma ação que pede ao STF a declaração da inconstitucionalidade da MP e, consequentemente, a derrubada da medida.
No pedido, além de citar a violação da segurança jurídica, a Anseja alega: a falta de urgência para edição da MP pelo governo; que há ausência de impacto financeiro da medida; e que houve a extinção sem devolução dos valores pagos por outorga; Governo quer ser ouvido no caso Em outra frente, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um prazo de 72 horas para que a Presidência e a própria AGU possam se manifestar sobre o pedido apresentado pelas entidades do setor de apostas.
A solicitação endereçada a Fux tem o objetivo de assegurar que o governo seja ouvido antes de eventuais decisões sobre os pedidos das entidades. Para o governo Lula, entre outras consequências, a liberação das bets gera: agravamento de problemas de saúde mental; sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS); endividamento e perda de renda das famílias; impacto sobre o consumo e a atividade econômica; e impacto desproporcional sobre a população de menor renda.
