Advogados foram presos em operação na Bahia Reprodução/TV Bahia A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) negou, na terça-feira (25), os pedidos de habeas corpus apresentados em favor dos investigados na Operação Sintonia de Gravata. Com a decisão, foi mantida a prisão preventiva dos dez advogados presos durante a operação. O julgamento ocorreu durante sessão da 1ª Câmara Criminal.

Por unanimidade, os desembargadores decidiram manter os atos questionados e a custódia dos investigados. Os advogados homens permanecem na Cadeia Pública de Salvador, enquanto as mulheres estão em um centro de custódia destinado ao recolhimento diferenciado de advogadas. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), que apresentou o habeas corpus coletivo, informou que vai recorrer da decisão.

A entidade pretende levar às instâncias superiores a discussão sobre as condições de prisão dos profissionais e a validade de gravações feitas no parlatório do Conjunto Penal de Serrinha. Segundo a OAB-BA, uma autorização judicial destinada ao monitoramento de uma advogada teria sido utilizada para gravar e analisar, durante cerca de 60 dias, conversas entre outros advogados e seus clientes. Para a entidade, a medida ultrapassou os limites da decisão judicial e violou o sigilo profissional.

A Ordem também questiona as condições de custódia dos dez advogados e afirma que as unidades onde eles estão presos não atendem aos requisitos legais para o recolhimento de profissionais. A entidade defende que, na ausência de instalações adequadas, a prisão preventiva deve ser substituída pela prisão domiciliar. O TJ-BA recomendou ao juízo responsável pelo caso que requisite informações periódicas sobre a existência de vagas destinadas à transferência dos advogados homens para unidades adequadas.

A OAB-BA e o Conselho Federal da OAB afirmam que a autorização judicial permitia monitorar apenas uma advogada específica. Segundo as entidades, as gravações acabaram registrando também conversas de outros advogados com seus clientes. Para a OAB, a medida ultrapassou o que havia sido autorizado pela Justiça e violou o sigilo entre advogados e clientes.

Durante o julgamento, a presidente da OAB-BA, Daniela Borges, afirmou que a discussão é sobre os limites da autorização judicial e o direito dos advogados de conversar de forma sigilosa com seus clientes. Operação Sintonia de Gravata A Operação Sintonia de Gravata foi deflagrada em 3 de julho para desarticular um esquema que, segundo as investigações, envolve facções criminosas com atuação no sistema prisional. Na ocasião, foram cumpridos 21 mandados de prisão em seis cidades da Bahia.

Entre os alvos estavam dez advogados e 12 detentos que já estavam custodiados. A investigação apura suspeitas relacionadas ao tráfico de drogas, aquisição, circulação, posse e guarda de armas de fogo de facções, além da articulação entre integrantes presos e pessoas em liberdade. Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras.

Durante as ações, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos que podem contribuir para o avanço das investigações. Veja o que se sabe sobre os suspeitos Maria Tereza Novaes Martins Atuaria em favor de Victor de Freitas Silva, conhecido como "Da Jega", uma dos chefes da organização criminosa Comando Vermelho (CV), com atuação em Feira de Santana Izabela da Silva de Oliveira Atuaria em favor de Averaldo Ferreira da Silva Filho, conhecido como "Averaldinho".

Ele é integrante e um dos chefes da organização criminosa Bonde do Maluco (BDM), com atuação principal na cidade de Salvador. Luan Mascarenhas de Souza Atuaria em favor de Francisleno de Jesus Nunes, conhecido como "Su, Coroa ou Mineiro". Os crimes pelos quais ele responde não foram detalhados.

Ícaro Cardoso Viana Atuaria em favor de Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Décio Douglas Silva Oliveira. Esse último é conhecido como "Vaqueiro", um dos chefes do BDM. Luã Santos da Costa Atuaria em favor de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como "Léo Gringo", um dos chefes do BDM na Bahia, e de Wesley Willian Alves dos Santos.

No caso desse último, não foram detalhados os crimes pelos quais ele responde. Fernanda Oliveira Borges Atuaria em favor de Marlos Araújo Souza Junior, conhecido como "Bolão, CRM, JR". Ele é vinculado à organização criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação principal em Senhor do Bonfim, no norte da Bahia.

Tamires Felix Alves Silva Atuaria em favor de Décio Douglas Silva Oliveira, o "Vaqueiro", do BDM. Maria Mariana Batista de Oliveira Atuaria em favor de Fabio Santana Oliveira, conhecido como "Panda" e apontado como um dos chefes do CV, com atuação principal na região de Capim Grosso; de José Lucas Silva Rocha, o "Índio", integrante do CV, com atuação na cidade de Eunápolis, no extremo sul; e Victor de Freitas Silva, o "Da Jega", um dos chefes da facção em Feira de Santana.

Raiza da Silva Fez a defesa de Ian Pedro Santos, chefia do Comando Vermelho da cidade de Casa Nova. Joanderson Almeida dos Santos Também advogado de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como "Léo Gringo".

Vídeos e áudios mostram traficantes ditando ordens O Fantástico divulgou imagens de câmeras instaladas com autorização judicial no parlatório, que registraram, entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, momentos em que os profissionais receberam e transmitiram instruções detalhadas sobre a compra e venda de armamentos, contabilidade do tráfico de drogas, além de planejamentos de homicídios e sequestros.

(veja abaixo) Os bilhetes com as diretrizes das quadrilhas eram escondidos pelos advogados sob as roupas íntimas para burlar a fiscalização. "Nós estamos tratando de indivíduos que se utilizam de uma prerrogativa da advocacia para cometer crime", afirmou o coordenador do Gaeco do MP-BA, Luiz Ferreira de Freitas Neto. "Denunciamos todos pelo pertencimento ao crime de organização criminosa.

Diversos crimes são observados na conversa, desde tráfico de armas, tráfico de drogas, homicídios." Exclusivo: vídeos e áudios mostram traficantes ditando ordens a advogados em presídio de segurança máxima da Bahia As gravações capturadas nas cabines do parlatório revelaram a atuação individualizada de integrantes do grupo: Ícaro Cardoso Viana: O advogado foi registrado recebendo instruções para recolher duas pistolas com a tia de um criminoso.

Em outros trechos, ele faz anotações enquanto um preso dita os preços de substâncias ilícitas utilizando codinomes como "peixe" (cocaína), "óleo" (crack) e "chá" (maconha). As imagens mostram que a contabilidade da quadrilha ainda incluía o uso de cheques bancários. Fernanda Oliveira Borges: Foi filmada retirando papéis com informações de dentro de suas vestes.

Os vídeos mostram os detentos ditando balanços financeiros de entorpecentes acompanhados por ela, além de ordens de cobranças de dívidas sob ameaça e anotações ligadas a planejamentos de sequestros. Maria Mariana Batista de Oliveira: Conforme as investigações, ela mantinha contato frequente com uma liderança do Comando Vermelho.

Em um dos vídeos, ela chora com o preso ao informá-lo sobre a morte de um comparsa que atuava na Bahia e foi morto em confronto com a Polícia Militar no Rio de Janeiro durante a Operação Contenção — a mais letal do país, que deixou 122 mortos em outubro do ano passado. Depois, o detento afirma que pretende matar policiais, enquanto a advogada repassa dados sobre o paradeiro de uma carabina (chamada de "CT") e frações de munição, além de receber instruções sobre como embalar cocaína em pinos plásticos para venda.

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