3_Produtores devem ficar atentos porque irrigação não significa água infinita._Seiva Acervo/Seiva do Vale Para os municípios do Vale do São Francisco que exploram a fruticultura, o El Niño de 2026 coloca em evidência a importância estratégica da irrigação, que é justamente a tecnologia que ajudou a transformar o semiárido em um grande polo produtor. Mas irrigação não significa água infinita.
Uma eventual redução das chuvas na bacia do São Francisco, associada a temperaturas elevadas e maior demanda por água pelas plantas, pode aumentar a pressão sobre os sistemas de abastecimento e irrigação. O impacto efetivo dependerá da evolução das vazões do rio, dos reservatórios, das condições dos solos e das demais variáveis oceânicas e atmosféricas. Por isso, a palavra mais adequada neste momento é risco, e não certeza.
Mesmo um El Niño muito forte não produz automaticamente os mesmos impactos em todos os anos ou em todos os municípios. O próprio INMET ressalta que a intensidade do fenômeno é apenas um dos fatores que determinam seus efeitos no Brasil.
No Vale do São Francisco, onde a agricultura nasceu da capacidade de controlar a água em um ambiente naturalmente seco, o fenômeno traz de volta uma questão central: até que ponto a infraestrutura de irrigação será capaz de amortecer os efeitos de um novo período de extremos climáticos. Essa é uma pergunta que só poderá ser respondida à medida que o El Niño avançar e os dados de chuva, vazão, temperatura e armazenamento de água forem se confirmando.
