O terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega em seu quarto ano como um dos mais desaprovados nas pesquisas desde a redemocratização. Lula não consegue aprovação da maioria da população mesmo com melhora nos índices econômicos. O desemprego registra as menores taxas da série histórica e a inflação é menor quando comparada à do fim do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Levantamento do g1 com dados econômicos, de pesquisa de intenção de voto e de avaliação de governo desde 1989 mostra o quanto o Brasil repete cenário de 2022 nas eleições de 2026. [galeria com infográficos com os dados – link dos dados] Lula está levemente à frente de Flávio Bolsonaro (PL), considerando a pesquisa Datafolha mais recente antes do primeiro turno da disputa pela Presidência. Agora no g1 Nesse ponto, o cenário é melhor do que era para o então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

Nas vésperas da eleição, o ex-presidente estava em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. No entanto, a avaliação de governo na época era quase tão ruim quanto a atual de Lula. Em setembro de 2022, 40% consideravam o governo de Jair Bolsonaro ruim ou péssimo.

Já os que consideravam a gestão bolsonarista boa ou ótima eram 37%. Hoje, 41% têm avaliação negativa da terceira gestão de Lula. Outros 35% consideram o governo atual bom ou ótimo.

Ou seja, as avaliações das gestões de ambos espelham a polarização política no país. O fim do pleito de 2022 foi um marco histórico em relação a presidentes buscando a reeleição. Jair Bolsonaro foi o primeiro a tentar o feito e falhar.

Lula tem amargado números baixos de aprovação durante seu terceiro mandato. Um contraste em relação à última passagem de Lula na presidência. Em 2010, quando ainda era presidente e entregava o governo para sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), o presidente alcançou mais de 80% de aprovação.

Apesar disso, o petista continua tendo 45% das intenções de votos válidos, contra 40% de Flávio no primeiro turno. Índices econômicos No trimestre encerrado em agosto, dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas, o maior nível da série histórica. Com isso, a taxa de desemprego ficou em 5,3%.

A inflação também está em trajetória de queda. Em agosto, o índice foi negativo: - 0,32%. O resultado reforçou um movimento de desaceleração dos preços no país, com um acumulado de 12 meses em 4,22%.

Para comparação, no mesmo período de 2022, o governo Bolsonaro registrava inflação de 8,73%. O governo Lula utiliza os índices em sua campanha em busca do quarto mandato. Também cita a saída do Brasil do Mapa da Fome mais uma vez, fato comemorado por Lula.

O Brasil já havia saído do Mapa da Fome em 2014. No entanto, com a análise dos dados de 2018 a 2020, a ONU recolocou o país na lista, em 2022. Em 2025, a ONU retirou o país da lista, já que menos de 2,5% da população estava em risco de subnutrição.

Ainda assim, a avaliação da população não reage a esses dados econômicos. Um dos índices que pode influenciar nesse resultado é o endividamento das famílias brasileiras. Dados do Banco Central (BC) mostram que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu para 5% em agosto.

É o maior patamar desde o início da série histórica, em março de 2011. Tentando reagir, Lula anunciou uma nova rodada do Desenrola, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas. O governo estima que as dívidas nessas modalidades somem R$ 300 bilhões e pretende alcançar 50% desse valor, ou R$ 150 bilhões.

A iniciativa prevê a aquisição e a reestruturação de dívidas com atraso de 2 a 4,5 anos. O programa será voltado para dívidas de até R$ 10 mil de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e de crédito pessoal sem consignação em folha. Lula e Jair Bolsonaro.

Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo; Reuters/Adriano Machado