Margaret Hamilton, aqui em foto de 1969, liderou um grupo que programou os computadores usados na missão de pouso na Lua da Nasa AP Photo/picture alliance A engenheira de software Margaret Hamilton, líder da equipe que programou os primeiros computadores usados pela missão Apollo da Nasa para levar humanos à Lua, morreu no dia 30 de setembro, aos 90 anos. A morte foi anunciada nesta quarta-feira (07) pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde ela trabalhou de 1959 até meados da década de 1970.
A universidade a descreveu como alguém muito influente no setor de desenvolvimento de software, dizendo que ela "abriu novos caminhos na ciência da computação e na engenharia”. O chefe da Nasa, Jared Isaacmen, prestou homenagem na rede social X, chamando Hamilton de "uma pioneira cujo trabalho ajudou a tornar a [missão] Apollo e as primeiras viagens do homem à Lua possível”. Trajetória Hamilton estudou matemática antes de se mudar para Boston, em Massachusetts, em 1959.
Ela começou a trabalhar no MIT logo depois e, em 1965, se candidatou a uma vaga em um laboratório da universidade que estava procurando pessoas para desenvolver software para "levar um homem à Lua". O laboratório tinha ganhado um contrato da Nasa para construir o software de voo de bordo para o programa Apollo. Agora no g1 Contratada, a americana se tornou a primeira programadora do projeto, disse o MIT, acrescentando que ela também foi a primeira mulher a ocupar esse cargo no projeto.
Inicialmente, ela trabalhou no primeiro software para as missões Apollo não tripuladas, antes de ser promovida para liderar a equipe que desenvolvia o software de voo de bordo para as missões tripuladas. "Em 1968, ela já era diretora-assistente e responsável pela equipe do Módulo de Comando e Serviço [da Apollo], e mais de 400 pessoas trabalhavam no software da Apollo", disse o MIT.
"Dizer que Margaret Hamilton foi uma pioneira, como dizer que ela estava à frente de seu tempo, seria um eufemismo e tanto", disse Olivier de Weck, professor do programa Apollo e chefe interino do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT.
"Ela era engenheira de software numa época em que essa área ainda estava engatinhando, e não só desenvolveu códigos avançados sozinha, como também liderou uma equipe no uso dessa tecnologia incipiente, para criar um dos sistemas mais complexos que a humanidade já havia construído", acrescentou de Weck. "Avanços gigantescos para a humanidade" Em 2009, Hamilton disse ao MIT News, sobre o tempo em que trabalhou no programa Apollo, que "não havia segunda chance". "Nós sabíamos disso.
Levávamos nosso trabalho a sério; muitos de nós começaram essa jornada ainda na casa dos 20 anos de idade." "Encontrar soluções e novas ideias era uma aventura. Dedicação e comprometimento eram algo natural", acrescentou ela.
"Como o software era um mistério, uma 'caixa preta', tínhamos total liberdade e confiança por parte do alto escalão do MIT." "Olhando para trás, éramos as pessoas mais sortudas do mundo; não tínhamos escolha a não ser: ser pioneiros." Hamilton publicou mais de 130 artigos e fundou suas próprias empresas de software: a Higher Order Software e a Hamilton Technologies.
Em 2016, ela recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos EUA, das mãos do então presidente Barack Obama, cuja menção honrosa dizia: "Hamilton definiu novas formas de engenharia de software e ajudou a lançar um setor que mudaria para sempre a história da humanidade. Sua arquitetura de software levou a avanços gigantescos para a humanidade, escrevendo o código que ajudou os Estados Unidos a pisar na Lua."
