Disco inédito de Paulo André Barata é lançado Após quase quatro décadas ‘perdido’, um disco inédito de Paulo André Barata foi lançado em Belém e algumas das canções estarão no repertório de um show tributo. O cantor, compositor, arranjador e instrumentista, que morreu há três anos, será homenageado no espetáculo nesta sexta-feira (25), data em que completaria 80 anos. O espetáculo será às 20h30 no Teatro Margarida Schivasappa.

No palco, 20 intérpretes vão se revezar celebrando a obra do artista. O disco "Na Correnteza” conta com faixas inéditas e reúne composições de Paulo André com outros artistas. Das 10 composições, a maioria foi escrita junto com o pai, o poeta Ruy Barata.

✅ Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Veja mais notícias do g1 Pará Ruy Barata e Paulo André, pai e filho, compositores que fizeram história na música do Pará Arquivo de família Cópia guardada por amigo Tudo começou quando o jornalista paraense e amigo pessoal de Paulo André, Edgar Proença, guardou por quase 40 anos a única cópia, em fita cassete, com músicas inéditas do compositor, gravada em 1987.

O motivo para isso foi e é especial: a última faixa do disco, “Izabela”, foi uma homenagem à sua sobrinha Isabela. A canção é fruto da parceria entre seu pai, Edyr Proença, e seu amigo Paulo André Barata. “O Paulo ia às vezes para Mosqueiro e tocava violão com o papai no pátio da nossa casa.

Eles às vezes faziam parcerias, uma delas foi uma homenagem à minha sobrinha, Isabela, que havia nascido. Os dois compuseram a música e gravaram juntos” conta Edgar. O disco foi produzido, à época, pelo jornalista e irmão de Paulo, Tito Barata, mas não chegou a ser lançado por falta de investimento das gravadoras.

“Me lembrei desse disco que produzi em 1987 que por algum motivo extraviou a fita master, que era uma fita de rolo. Conversando no ano passado com o Edgar, ele me disse que tinha uma cópia daquele master tirado exatamente na gravadora, inclusive com a letra de Paulo André e assinatura dele”, revela Tito.

Fita guardada de Paulo André Barata deu origem a disco inédito TV Liberal/Reprodução 'Disco que é uma pérola' Para chegar ao público, o material precisou passar por um processo de limpeza e digitalização, feita em Belém, além de uma remasterização, feita por Artur Luna, no Rio de Janeiro. No Pará, os responsáveis pelo tratamento da obra foram o artista, Léo Bitar, e o produtor musical, Ziza Padilha.

“Quando eu peguei a fita testei em alguns gravadores para ver qual aparelho ela soava melhor para poder fazer a digitalização, daí quando toquei a fita o som era fantástico! A qualidade sonora é incrível, um disco que realmente é uma pérola na obra do Paulo André. É um discasso!”, enfatiza Léo.

Gravações em fita guardada foram restauradas para disco póstumo TV Liberal/Reprodução O disco tem canções inéditas de Paulo com Paes Loureiro, Alfredo Oliveira, Edyr Proença e Ruy Barata, pai de André, incluindo a primeira versão de “Porto Caribe”, que muitos conhecem como “Eu sou de um país que se chama Pará”. Ziza Padilha destaca que o público, ao entrar em contato com o disco, irá escutar o projeto da maneira que foi idealizado por Paulo André Barata na década de 1980.

“Respeitar o som da época também é importante para que isso chegue no ouvido de quem vai consumir. Essa obra foi feita por um baita compositor com grandes poetas e a gente respeita e admira. Então, a gente faz com todo carinho e se emociona também pela responsabilidade que nos colocam para fazer esse trabalho”, ressalta Ziza.

O álbum ‘Na Correnteza’ já está disponível nas plataformas digitais e em versão CD, ambos lançados pelo selo Na Music. Quem foi Paulo André Barata Paulo André morreu em 25 de setembro de 2023, no dia em que completaria 77 anos. Cantor, compositor, músico e poeta, Paulo André Barata, nasceu em Belém e construiu uma carreira artística marcada pela valorização da identidade cultural amazônica, com referências aos rios, às paisagens e às manifestações culturais da região.

Paulo André Barata lança "Nasci Para Bailar" em plataformas digitais de música. Divulgação Suas canções "Pauapixuna", "Foi Assim" e "Este Rio é Minha Rua" foram imortalizadas na voz de Fafá de Belém. Em 2025 teve sua obra reconhecida como patrimônio cultural e artístico de natureza imaterial do Estado do Pará.

A Lei nº 11.098, que reconhece esse legado, foi sancionada após aprovação unânime na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Leia todas as notícias do estado no g1 Pará