Médicos que atuam no pronto-socorro de Lambari, no Sul de Minas, denunciam estar sem receber salários desde junho. Segundo os profissionais, a remuneração deveria ser feita por uma empresa terceirizada contratada pela prefeitura. Enquanto isso, pacientes relatam demora no atendimento na unidade.
📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram O trabalhador rural Valdeci Haroldo de Oliveira contou que aguardou cerca de duas horas por atendimento no pronto-socorro. "Mais ou menos umas 6h40, mais ou menos. Estou aqui até agora, plantado aqui.
Apareceu alguém? Não, eu fiz a ficha ali, mas até agora não apareceu médico nenhum", afirmou. Médicos denunciam atraso de salários no pronto-socorro e alertam para risco de falta de profissionais em Lambari Reprodução EPTV Ele também relatou que já desistiu de buscar atendimento em outras ocasiões por causa da demora.
"Tem dia que espera bastante, tem dia que eu chego até, eu tenho labirintite. Aí eu vim aqui o outro dia, cansei de esperar, não apareceu ninguém, saí e fui embora para casa", disse. Além das reclamações de pacientes, médicos que trabalham na unidade alegam falta de pagamento dos salários há meses.
Segundo um dos profissionais, a justificativa apresentada pela empresa responsável foi a falta de repasse por parte da prefeitura. "A resposta foi que a prefeitura de Lambari não tinha feito repasse para a empresa e esse repasse, a RCS só pagaria a gente quando tivesse o repasse da prefeitura. E a prefeitura também disse que não tem, a alegação da prefeitura que não foi passada, porque não tinha verba, basicamente", relatou.
O médico afirma que a categoria recebeu diferentes promessas de pagamento que não foram cumpridas. "Inicialmente, eles tinham, a gente era para receber no final de julho. Chegou o final de julho e nós não recebemos.
E aí, eles falaram que pagariam a gente dia 10 de agosto. Dia 10 de agosto também não pagaram a gente. E agora o novo prazo que eles deixaram para a gente é por volta do dia 10 de setembro.
Mas já é a terceira vez que eles nos dão uma data", afirmou. Médicos denunciam atraso de salários no pronto-socorro e alertam para risco de falta de profissionais em Lambari Reprodução EPTV De acordo com informações do Portal da Transparência da Prefeitura de Lambari, até agosto deste ano o município pagou à RCS Eireli mais de R$ 1,432 milhão. Ainda segundo os dados, mais de R$ 2 milhões foram empenhados para o contrato.
Em nota, a Prefeitura de Lambari informou que o contrato com a empresa foi encerrado neste mês após os valores se tornarem incompatíveis com a realidade financeira do município. A administração também informou que abriu um novo processo licitatório para contratação de serviços médicos no dia 4 de agosto, mas que o procedimento foi suspenso em 18 de agosto e permanece nesta situação.
Segundo a prefeitura, assim que tomou conhecimento dos pagamentos pendentes, conversou com a empresa e uma solução foi definida e repassada aos médicos envolvidos. A administração acrescentou que uma nova empresa já foi contratada, gerando economia de aproximadamente R$ 40 mil por mês aos cofres públicos. O nome da empresa e o processo referente à contratação não foram informados.
Um dos médicos ouvidos afirma que a falta de pagamentos pode dificultar a permanência de profissionais na cidade. "A gente queria saber onde foi parar essa verba e a justificativa desse atraso. Por quê que não está pagando.
Não é a primeira vez que Lambari faz isso. Eu tenho colegas que estão desde o ano passado sem receber", declarou. Prefeitura, Cassino de Lambari Reprodução EPTV Ele também disse que optou por deixar a escala de atendimento e alertou para possíveis impactos na assistência à população.
"Infelizmente quem acaba pagando o preço disso tudo é a população, porque cada vez menos médicos vão querer trabalhar em Lambari. Eu mesmo não faço mais parte da escala, optei por sair, e cada vez menos pessoas vão querer trabalhar nessas condições de trabalho. Vai faltar médico para atender a população.
É uma cidade que depende quase exclusivamente do pronto-socorro e isso vai trazer um prejuízo enorme para a população", afirmou. A Prefeitura de Lambari informou ainda que o atendimento no pronto-socorro segue funcionando normalmente, sem interrupções e sem redução no número de profissionais. A reportagem também procurou a RCS Soluções, empresa que mantinha contrato com o município, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
A Câmara Municipal encaminhou um ofício à prefeitura solicitando esclarecimentos sobre a falta de pagamento dos médicos. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

