Moacyr Franco completa 90 anos na segunda-feira (5) Izaac Newton/Divulgação Prestes a completar 90 anos, dos quais 70 dedicados à carreira artística, o cantor, ator e escritor Moacyr Franco, natural de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, segue trabalhando. Em entrevista ao g1, ele relembrou a infância no interior, falou sobre a trajetória na televisão e na música e contou como lida com o passado, sem guardar ressentimentos. "Eu queria realizar tudo de novo porque a gente improvisou muito.

Gostaria de repassar a minha vida todinha e fazer isso bem feito", afirma o cantor, que completa 90 anos na segunda-feira (5). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Com o sucesso em programas como 'Praça da Alegria', a partir dos anos 1959, Moacyr Franco ficou conhecido principalmente por seu trabalho em atrações humorísticas. "Hoje em dia eu gosto da minha carreira como cantor, mas ela nunca foi levada a sério porque eu era artista de televisão".

Agora no g1 Antes de ganhar destaque na televisão, Moacyr Franco já havia conquistado sucesso na música. Em 1971, o disco 'Balada nº 7' liderou a lista dos mais vendidos, segundo uma reportagem publicada pelo jornal Diário de São Paulo, compartilhada pelo artista. Roberto Carlos, com 'Amada Amante', aparece na oitava posição.

"Depois de mim vinham seis estrangeiros, tinha até os Beatles, fiquei em primeiro o ano inteiro e isso nunca foi destaque em lugar nenhum, ninguém nunca levou essa carreira minha de música a sério", recorda. Reportagem citada por Moacyr Franco na entrevista Reprodução 'O importante é amanhecer' Moacyr Franco diz que não guarda ressentimentos em relação às críticas e segue trabalhando, sem ficar preso ao passado. "Digamos que eu passei a vida inteira no palco, a vida é assim, e estou muito contente com ela.

O mais importante é amanhecer, estar saudável, conseguir trabalhar e poder dar uma entrevista sobre a atualidade, com lucidez, isso é o que importa". Moacyr também guarda em casa cerca de 50 troféus. Segundo ele, cada prêmio representa um show pelo qual recebeu uma homenagem em vez de cachê.

Entre as premiações estão os troféus Chico Viola e Roquette-Pinto. Celular 'bomba' com registros de amigos Moacyr Franco é autor de sucessos como 'Ainda Ontem Chorei de Saudade', que ficou em nono lugar entre as músicas mais tocadas de 2025, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Ele também assina canções como 'Seu Amor Ainda é Tudo' e 'Eu Nunca Mais Vou te Esquecer'.

O cantor diz que ainda se surpreende com a permanência de suas músicas nas paradas, mesmo em um cenário em que os sucessos costumam ter curta duração. "Com a infinidade de hits que tem por aí, do mundo inteiro, tocando todo dia, toda hora, a minha música está ali, no top 10, espontaneamente, batalhando. E eu recebo no mínimo meia dúzia de vídeos todo dia de alguém performando uma música minha", afirma.

Para Moacyr, uma música que atravessa gerações consegue algo raro: continuar tocando em diferentes épocas do ano, do Carnaval ao Natal. Por isso, os shows também ganham um significado especial. "Um dos shows que mais me fez feliz neste ano foi em Minas Gerais, em Belo Horizonte, no teatro do Sesc.

Um espaço com cerca de 1,4 mil lugares, estava super lotado e foi um show muito bonito", lembrou. O artista também se surpreendeu com a rápida repercussão da apresentação nas redes sociais. Orgulho de ser mineiro Moacyr Franco tem orgulho de ter nascido em Minas Gerais.

Um de seus amigos de infância, o cantor Nilton César, também era de Ituiutaba. Morto aos 86 anos, em janeiro de 2026, Nilton é lembrado por Moacyr pelo talento musical. Nilton César também construiu uma carreira internacional, com sucesso nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

Moacyr, por sua vez, guarda com orgulho as lembranças da adolescência que passou na mesma cidade que o amigo. "Você não faz ideia de como nessa altura da vida essas coisas são importantes. Eu lembro da poeira de Ituiutaba, do caminho que descia do cemitério para a cidade; lembro do 'corguinho', do lançamento da primeira rádio da cidade e das praças", recorda.

O início da carreira musical em Uberlândia Durante a entrevista, Moacyr contou que passou recentemente por Uberlândia, a caminho de Ituiutaba, e pediu um favor a um taxista. "Vai passar aqui pela minha vida". Moacyr pediu ao taxista que passasse por lugares importantes de sua adolescência.

Ao chegar ao local onde funcionava um estúdio fotográfico, lembrou de uma véspera de Natal em que fez uma foto com os pais, o irmão e as duas irmãs. "Eu tinha uns 10 ou 12 anos, eles saíram na minha frente depois, meu pai e minhas duas irmãs e eu me lembro de ter chorado muito. Como Ituiutaba, Uberlândia é importante na minha vida também".

Moacyr também se lembra do primeiro prédio da Rádio Difusora e dos passeios pelas calçadas próximas à Praça Clarimundo Carneiro. Na época, o footing, como eram chamados os passeios a pé, era uma oportunidade para conhecer pessoas e iniciar paqueras. A primeira Coca-Cola Foi em um bar perto da Praça Clarimundo Carneiro que Moacyr Franco e dois amigos experimentaram Coca-Cola pela primeira vez.

A lembrança ainda o faz rir. "Foi o primeiro lugar que vendeu Coca-Cola em Uberlândia. Nós nos juntamos os três pra dividir e pagar, eu trabalhava como engraxate na época...

e quando tomamos foi unânime: achamos horrível", recorda os risos. Uma pintura por um concerto Moacyr Franco trabalhou no Cine Uberlândia, onde atuava como pintor e aprendeu a fazer cartazes de filmes. Antes disso, trabalhava em uma engraxataria perto do Cine Éden.

Depois, deixou o local e passou a trabalhar em uma oficina de pintura no Centro. Na oficina, Moacyr pintava de tudo, de letreiros a estantes de orquestra. Foi ali que conseguiu sua primeira oportunidade na música.

"Chegou um maestro com 20 estantes da orquestra dele para pintar e o Vasconcelos, dono da oficina, pediu pra eu fazer, eu era bom com letras. Quando o maestro perguntou o valor, eu disse que se ele deixasse eu cantar uma vez com a orquestra, eu não cobro nada. Pintei tudo de graça", conta.

A estreia aconteceu no Colégio Estadual de Uberlândia, onde Moacyr cantou três músicas. O maestro e os músicos gostaram da apresentação. Quando o convidaram para viajar com a orquestra em uma excursão a Goiás, ele aceitou.

Moacyr permaneceu por um período na orquestra. Depois, viajou para São Paulo com Gilberto Garcia e o pianista da Rádio Difusora, que foi à capital paulista para vender um piano. De lá, seguiu para Ribeirão Preto, onde deu continuidade à carreira.

"Foi tudo rápido, muito no susto. Cheguei em Ribeirão Preto, em uma rádio muito importante, onde conheci o Boni [José Bonifácio de Oliveira Sobrinho], que foi lá dirigir um programa. Ele gostou do meu trabalho como pintor.

Ele me levou para a agência de propaganda em São Paulo, trabalhei lá um dia só", recorda. Por meio de Boni, Moacyr também participou pela primeira vez de um programa de calouros e conquistou o segundo lugar. "Comprei um terno com o dinheiro que ganhei e fui ver televisão pela primeira vez.

Comecei na televisão como figurante. Troquei o terno por um figurino de soldado e quando sai tinham roubado meu terno", lembra. Moacyr conta que trabalhou como figurante por três semanas.

Na quarta, cantou Me Dá Um Dinheiro Aí, marchinha que fez sucesso. Durante as apresentações, também precisava atuar e dançar, em um formato que ele compara ao dos espetáculos da Broadway. "A gente tinha que fazer de tudo, cantar, atuar, virar piruetas", disse ele, que conheceu Manoel da Nóbrega, com quem trabalhou na 'Praça' e outros grandes nomes do rádio e da TV, como Sílvio Santos nesta época.

Primeiramente, escritor Moacyr Franco também se destaca como escritor e compositor. Suas músicas, especialmente as do gênero sertanejo, foram regravadas por diversos artistas, como João Mineiro e Marciano, Rita Lee, Daniel e Bruno e Marrone. Em 2026, uma composição de Moacyr Franco entrou na trilha sonora da novela Coração Acelerado, da TV Globo.

A música 'Goiás é Mais', escrita para a dupla Bruno e Marrone em 1995, homenageia o estado. Para o compositor, mesmo 30 anos depois, a canção ainda não recebeu o reconhecimento que merece. "Já era para essa música estar estourada há muitos anos, até gravei com Bruno e Marrone e acredito que ela tem que ser dominada por um cantor só, apesar de muitas pessoas terem gravado ela ainda não foi trabalhada do jeito que Goiás merece, e a música também", comentou.

Moacyr segue trabalhando e exercita a criatividade em novelas curtas, produzidas em formato vertical para as redes sociais. Nesse trabalho, conta com a ajuda do filho Guto Franco, que é redator, editor e diretor e atualmente mora em Portugal. "O Guto é um baita diretor e vem pra gravar comigo.

Estou escrevendo muito e sei que meu forte é esse, quando me elogiam nesse ponto aceito de bom grado porque sei que faço bem". Em família Além de Guto, Moacyr Franco tem outros cinco filhos, com idades entre 22 e 69 anos: Moacyr Franco Jr., Maria Cecília, Johnny Franco e os gêmeos Ana Helena e Domenico. Por causa deles, o artista passou a acompanhar mais de perto as redes sociais.

Johnny Franco é músico, compositor e produtor e desenvolve a carreira nos Estados Unidos ao lado do irmão, Dom. Moacyr acompanha a trajetória dos filhos. Ana Helena mora atualmente na Holanda.

Próximos passos Moacyr segue com suas produções de novelinhas verticais, mas conta que empresários da África e de Portugal demonstraram interesse em levá-lo para apresentações nesses destinos, possivelmente em fevereiro de 2027. "Fora do Brasil eu só toquei em Paris, na França, e no início de carreira na Argentina e espero chegar mais longe".

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