Garantir que a menstruação não seja motivo para faltar às aulas, deixar de participar de atividades ou enfrentar situações de constrangimento faz parte das ações de cuidado desenvolvidas pela rede municipal de ensino de Florianópolis. Em 2026, a Secretaria Municipal de Educação ampliou a distribuição gratuita de absorventes nas unidades educativas da Capital. Ao longo do ano, serão disponibilizados 20 mil pacotes, com oito absorventes cada, totalizando 160 mil unidades.
A quantidade é 14,9% maior do que a distribuída em 2025, quando foram entregues 17.410 pacotes, equivalentes a 139.280 absorventes. A iniciativa beneficia 6.064 estudantes e busca aliar o acesso a um item básico de higiene à permanência e ao bem-estar no ambiente escolar. Mais de 6 mil estudantes beneficiadas O maior público atendido é formado por 5.780 meninas a partir dos 10 anos, matriculadas entre o 5º e o 9º ano do ensino fundamental nas 41 escolas básicas municipais.
A distribuição também contempla 284 estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA), com idades entre 15 e 50 anos. A modalidade atende pessoas que buscam a alfabetização ou a conclusão do ensino fundamental. Para facilitar o acesso e evitar constrangimentos, os produtos ficam disponíveis tanto nos banheiros quanto nas secretarias das unidades educativas.
Além de atender situações inesperadas durante o período escolar, a disponibilização dos absorventes também pode ajudar estudantes que enfrentam dificuldades financeiras para adquirir os produtos. Grêmio Estudantil ajuda a conscientizar Na Escola Básica Municipal Tapera, o Grêmio Estudantil participa das ações de conscientização sobre dignidade menstrual. Para a estudante Lorena Barbosa, ter os produtos disponíveis na própria escola é importante principalmente quando a menstruação ocorre de forma inesperada.
Sem um absorvente à disposição, a estudante poderia precisar voltar para casa e perder parte das atividades escolares. Já Naomi Emanuelly, aluna do 7º ano e também integrante do Grêmio, lembra que algumas colegas enfrentam uma realidade ainda mais difícil. “Existem situações em que elas precisam levar absorventes para casa, justamente porque a família não consegue adquiri-los”, relata Naomi.
A diretora da EBM Tapera, Marrara Gomes, explica que a escola trabalha em parceria com o Grêmio Estudantil para abordar a menstruação com naturalidade, combater constrangimentos e garantir que a falta de acesso a produtos de higiene não interfira na frequência e na permanência das estudantes na escola.
Suporte de itens de higiene menstrual disponível para as estudantes no banheiro da EBM Beatriz de Souza Brito Divulgação/PMF Dignidade menstrual também é direito A iniciativa municipal integra um debate mais amplo sobre saúde, educação e direitos. Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu a higiene menstrual como uma questão relacionada à saúde pública e aos direitos humanos.
Dados da organização apontam que cerca de 4 milhões de pessoas no Brasil enfrentam privações relacionadas à higiene, incluindo dificuldades de acesso a banheiros, sabonetes e produtos menstruais. Uma em cada quatro mulheres já deixou de frequentar as aulas durante o período menstrual por não ter condições de comprar absorventes.
Ao ampliar a oferta dos produtos nas escolas em 2026, a rede municipal busca reduzir uma barreira que pode afetar diretamente a rotina educacional, garantindo mais segurança, acolhimento e condições para que as estudantes permaneçam em sala de aula. Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção deste conteúdo não teve custo e sua veiculação custou em média R$ 2.550,00. Acesse o site da PMF e fique por dentro das novidades!
