RS busca reter talentos e ampliar investimentos para impulsionar desenvolvimento econômico O Rio Grande do Sul forma profissionais em diferentes áreas, mas enfrenta dificuldades para mantê-los no estado. Em Santa Maria, um dos principais polos universitários gaúchos, a estudante de engenharia aeroespacial Carolina Barbara deixou Jundiaí (SP) para estudar na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ela afirma ter escolhido a cidade pela proximidade com a área aeronáutica e pela presença da Força Aérea.

Apesar disso, planeja seguir a carreira em São José dos Campos (SP). "A oportunidade que eu almejo está em São Paulo", resume. A situação é comum, segundo a coordenadora do curso de Engenharia Aeroespacial da UFSM, Natália Daudt.

"A maioria dos nossos estudantes tem se empregado fora de Santa Maria", afirma. O desafio de reter mão de obra qualificada também é percebido pelo poder público local. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Santa Maria, Ronie Gabbi, a cidade forma mais de 5 mil estudantes por ano.

"É praticamente impossível uma cidade conseguir reter essa quantidade", diz. O cenário reflete uma preocupação mais ampla no estado: transformar formação acadêmica em oportunidades de trabalho e carreira. Dados indicam que cerca de 700 mil gaúchos deixaram o Rio Grande do Sul desde o início do século.

Entre as alternativas apontadas está o fortalecimento dos ecossistemas de inovação, que aproximam universidades, empresas, startups e investidores. O Rio Grande do Sul possui 20 parques tecnológicos em atividade, além de incubadoras e hubs de inovação. Para o superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc, Jorge Audy, esses ambientes ajudam a atrair investimentos e gerar demanda por profissionais qualificados.

Segundo ele, o movimento contribui para trazer de volta parte dos jovens que deixaram o estado e também atrair novos talentos. "Não teremos futuro se não investirmos em educação, em geração de talento e políticas de atração de talentos", afirma. Em Porto Alegre, iniciativas como o Instituto Caldeira tentam aproximar jovens das oportunidades do mercado.

O programa Geração Caldeira conecta estudantes e ex-alunos da rede pública com empresas instaladas no ecossistema de inovação. Segundo o diretor de Educação do instituto, Felipe Amaral, mais de 550 participantes já foram contratados por organizações parceiras. "O Geração Caldeira é esse elo entre jovem talento que não tem acesso à oportunidade e empresas que querem acessar esses jovens", explica.

Amaral também destaca que o estado historicamente "forma talentos e exporta esses talentos para o Brasil e para o mundo", mas observa um movimento de retorno de profissionais que estavam vivendo fora do Rio Grande do Sul. Além da formação e retenção de talentos, especialistas apontam a infraestrutura como um dos principais entraves ao desenvolvimento. No turismo, setor visto como estratégico para a economia gaúcha, a Fecomércio-RS defende investimentos em estradas, segurança, conectividade e serviços urbanos.

"Precisamos trabalhar infraestrutura", afirma o diretor-executivo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa, Lucas Schifino. Segundo ele, a falta dessas condições afeta principalmente regiões mais distantes da capital. Schifino também apoia a discussão sobre a criação de um Fundo Constitucional para as regiões Sul e Sudeste, que poderia ampliar recursos para investimentos em áreas como infraestrutura.

Para o professor da PUCRS Ely José de Mattos, o desenvolvimento econômico exige ações coordenadas e planejamento de longo prazo. "Desenvolvimento econômico se faz com políticas integradas", afirma. Segundo ele, é necessário conectar educação, geração de empregos, segurança e qualidade de vida para produzir resultados duradouros.

Mattos avalia que o Rio Grande do Sul possui uma vantagem ao reunir uma economia diversificada e um sistema consolidado de ensino superior e inovação. Nesse contexto, transformar conhecimento em emprego, ampliar a inovação, melhorar a infraestrutura e criar condições para novos investimentos aparecem como caminhos apontados por especialistas para estimular o crescimento econômico e ampliar as oportunidades dentro do estado.

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