Suéllen Rosim presta depoimento em comissão que investiga licitação do lixo Cesar Evaristo/TV TEM Mesmo após a prisão do marido, o ex-secretário de Governo Renato Purini, na manhã desta sexta-feira (16), a prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (PSD), compareceu à Câmara Municipal durante a tarde para prestar depoimento à Comissão Processante (CP) que investiga possíveis irregularidades na contratação dos serviços de gestão do lixo na cidade.

A comissão apura se a prefeita foi omissa ou negligente diante das suspeitas de irregularidades no processo de contratação.

📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Renato Purini foi levado para a Prefeitura de Bauru durante ação do Gaeco nesta sexta-feira (16) Carlos Torrente/TV TEM Durante o depoimento, Suéllen afirmou que o marido não participava das decisões sobre o edital do lixo, negou ter recebido vantagens indevidas e disse desconhecer encontros entre ele e o executivo da Estre Ambiental, empresa apontada como possível beneficiária do direcionamento da licitação.

Embora tratem de suspeitas relacionadas ao mesmo processo de contratação, a Comissão Processante e o Gaeco têm atuações diferentes. A comissão da Câmara avalia se houve responsabilidade político-administrativa da prefeita por possível omissão ou negligência. Já o Gaeco conduz a investigação criminal para apurar suspeitas de direcionamento da licitação, pagamento de propina e interferência no processo de contratação dos serviços de gestão do lixo de Bauru.

O contrato é estimado em R$ 5,2 bilhões ao longo de 30 anos. Grávida de sete meses, Suéllen teve o depoimento antecipado pela comissão devido ao estágio avançado da gestação. Grávida, Suéllen Rosim presta depoimento em comissão que investiga licitação do lixo Cesar Evaristo/TV TEM Durante a oitiva, a prefeita defendeu o marido e afirmou que ele não participava de reuniões nem de decisões relacionadas ao edital de licitação do lixo.

Segundo ela, as discussões sobre o processo ficavam restritas à Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Suéllen também afirmou desconhecer possíveis encontros entre Purini e Hamilton Libório Agle, executivo da empresa Estre Ambiental, apontada nas investigações como possível beneficiária do suposto direcionamento da licitação.

Prefeita nega vantagens indevidas Durante o depoimento, a prefeita foi questionada sobre conversas interceptadas pelo Ministério Público nas quais investigados mencionavam o envio de um "presentinho" a ela. Suéllen afirmou que não poderia responder por conversas de terceiros e negou ter recebido qualquer vantagem indevida. Ao ser questionada sobre a expressão "trofeuzinho", mencionada em outras gravações dos investigados, a prefeita retirou pequenos troféus de uma sacola e os mostrou aos vereadores.

Suellen Rosim (PSD) mostra troféus que ganhou de empresas pelo aniversário da cidade Cesar Evaristo/TV TEM Segundo ela, as referências nas conversas seriam a lembranças institucionais entregues ao município, incluindo uma peça oferecida pela própria empresa Estre Ambiental. A prefeita também confirmou ter recebido executivos de empresas em seu gabinete, mas afirmou que os encontros tiveram caráter exclusivamente institucional.

Sobre a contratação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), responsável pelos estudos que embasaram a elaboração do edital, Suéllen sustentou que o processo seguiu os procedimentos regulares da administração pública. Decisão judicial permitiu perguntas orais O depoimento ocorreu após uma decisão liminar da Justiça favorável ao vereador Eduardo Borgo (Novo), autor da denúncia que deu origem à Comissão Processante.

A decisão suspendeu a exigência estabelecida pela presidência da comissão de que as perguntas à prefeita fossem apresentadas por escrito. Com isso, os vereadores puderam fazer os questionamentos oralmente durante a sessão. Nova fase da operação Em nota, o Ministério Público informou que além da prisão, houve cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços localizados não só na cidade do interior paulista, mas também na capital.

Preso marido da prefeita de Bauru LEIA MAIS Vídeo mostra momento em que secretário e marido da prefeita de Bauru é levado durante operação contra fraudes em licitação Marido da prefeita de Bauru, secretário de Governo é preso em casa durante operação que investiga fraude em licitação A investigação mira um suposto esquema criminoso relacionado à estruturação e à condução da concessão dos serviços de resíduos sólidos em Bauru, envolvendo contrato estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos, além de possíveis ajustes com vereadores.

Vídeo mostra momento em que secretário e marido da prefeita de Bauru (SP) é levado durante operação contra fraudes em licitação Reprodução/TV TEM A nova fase da Cavalo de Troia decorre da evolução na análise de provas obtidas durante sua primeira etapa, especialmente das mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos. Elas revelaram indícios da participação de outros agentes públicos e particulares nas práticas investigadas.

As investigações prosseguem, inclusive para a apuração de outros possíveis delitos e a identificação de eventuais participantes ainda não alcançados pelas medidas judiciais. Como as investigações começaram Marido da prefeita de Bauru e secretário, Renato Purini é preso em casa durante operação do Gaeco TV TEM As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público começaram em março a partir de denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis da Ascam.

Segundo as apurações, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da Ascam, tinha ligação com uma facção criminosa e usava a influência para intimidar os trabalhadores da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis, que mantinha contratos de mais de R$ 5 milhões com a Prefeitura de Bauru com dispensa de licitação.

Marido da prefeita de Bauru e secretário é preso em casa durante operação do Gaeco A partir do monitoramento de ligações de Valdomiro e da esposa dele, Gisele Moretti, presidente da associação, o Ministério Público descobriu que o casal também articulava esquemas para pedir propinas e interferir na licitação da gestão do lixo na cidade.

Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam) em Bauru (SP) Divulgação A interceptação das conversas revelou a participação de secretários municipais e executivos de empresas, o que levou à deflagração de duas operações paralelas promovidas pelo Gaeco com o apoio da Polícia Militar. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou na prisão temporária de sete pessoas em fases anteriores, duas delas, presas na Operação Mobius, já foram liberadas.

As demais, presas na Operação Cavalo de Troia, permanecem presas, uma delas em prisão domiciliar. São elas: Cilene Chabuh Bordezan: ex-secretária municipal de Meio Ambiente; Vitor João de Freitas Costa: ex-secretário municipal de Negócios Jurídicos; Sara Moura de Jesus: ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente; Hamilton Libório Agle: proprietário e CEO da empresa Estre Ambiental; Talita de Andrade Soares Chieregatti: funcionária da Estre Ambiental (em prisão domiciliar).

Gisele Moretti, ex- presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam); e Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário e marido de Gisele Moretti, foram liberados. Operação Cavalo de Troia A Operação Cavalo de Troia investiga o esquema para fraudar a licitação da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru, projetada para durar 30 anos e avaliada em R$ 5,2 bilhões, o maior contrato da história do município.

A apuração aponta que o grupo atuava para direcionar as regras do edital a favor da empresa Estre Ambiental por meio de pessoas infiltradas na administração municipal. Segundo o Ministério Público, a então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, mantinha um relacionamento amoroso com o CEO da empresa, Hamilton Libório Agle, o que permitia que a concessionária elaborasse documentos e pareceres oficiais de dentro do próprio governo.

Gaeco aponta relação entre ex-secretária Cilene Bordezan e CEO Hamilton Libório Agle Reprodução Um dos presos conseguiu prisão domiciliar A funcionária da Estre, Talita Andrade, acusada de ser uma das envolvidos na organização criminosa montada para fraudar a concessão do lixo de Bauru, deixou a penitenciária e está cumprindo prisão domiciliar. A mudança foi comunicada na quinta-feira (15) pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

A acusada deixou a penitenciária feminina Sant´Ana no dia de outubro, após decisão da Justiça. Ela tinha sido transferida para a unidade no final de setembro, depois que teve a prisão convertida em preventiva. A defesa de Talita já vinha pedindo a prisão domiciliar por causa de uma doença da acusada e também pelo sofrimento da filha.

A TV TEM questionou a SAP sobre os outros quatro presos que, até a última atualização, estavam detidos em unidades prisionais. Já o ex-consultor da Fipe, Mário Luiz, estava foragido. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região