Maestrina Cinthia Alireti Studio Nanah D'Luize A história da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN) ganha um novo capítulo nesta quarta-feira (26). Pela primeira vez em seus 50 anos de trajetória, uma mulher estará à frente da regência de um concerto da orquestra. A maestrina Cinthia Alireti conduz a OSRN no concerto “Ecos Românticos”, às 19h30, no Teatro Riachuelo Natal.
A apresentação integra a programação comemorativa do cinquentenário da orquestra e é realizada pelo Projeto Movimento Sinfônico, da MAPA Realizações Culturais. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Para Cinthia, o momento é uma oportunidade de mostrar que espaços historicamente associados aos homens podem ser ocupados por mulheres. “É uma grande honra estar aqui como regente dessa orquestra maravilhosa, esse patrimônio cultural do Rio Grande do Norte.
Fico muito feliz que deu certo. E sabendo ainda que eu sou a primeira, que eu estou também fazendo história aqui no Rio Grande do Norte, isso para mim é bem importante”, afirmou. A maestrina, no entanto, diz que o aspecto que mais a marcou durante os ensaios foi perceber que a música acabou deixando em segundo plano a própria condição de ser a primeira mulher a reger a orquestra.
"O mais importante para mim é que, deste convívio com os músicos, todas essas ideias do que uma mulher pode ou não tenham ido por água abaixo. Que a gente tenha feito música e que tenham ficado, mesmo para eles, os valores que a gente trocou durante esses dias de ensaio”, contou. Cinthia chega ao Rio Grande do Norte com quase 14 anos de experiência como diretora artística e regente de uma orquestra profissional do estado de São Paulo.
Para ela, essa trajetória é o que deve prevalecer quando uma mulher assume uma posição de liderança. “Eu fico muito honrada que eu sou a primeira mulher, mas eu cheguei aqui com toda a minha experiência de quase 14 anos como diretora artística e regente de uma orquestra lá do estado de São Paulo. Então isso para mim é o que conta, é o que fica”, disse.
Ela espera que a passagem pela OSRN também sirva de inspiração para outras mulheres que desejam seguir caminhos ainda pouco ocupados por elas. “Espero que eu seja um exemplo para as meninas que querem fazer, que querem ocupar posições que não são aparentemente feitas para elas, mas que são posições que podem ser ocupadas por elas, sim. O mais importante é pensar naquilo que elas sonham em fazer, naquilo que elas são apaixonadas, e não pensar nas barreiras”, afirmou.
Barreiras ainda existem A maestrina reconhece que a carreira de regente é desafiadora independentemente do gênero. Para as mulheres, porém, existem obstáculos relacionados à própria percepção sobre os papéis de liderança. “A carreira de regente é uma carreira difícil, ponto.
Ela é difícil para todo mundo. Então não são as mulheres só que encontram barreiras”, explicou. Segundo Cinthia, uma das dificuldades está na resistência maior à presença feminina em posições de comando.
“As mulheres encontram porque é muito mais simples encontrar, ou melhor, aceitar a figura da mulher numa função de apoio do que uma função de liderança”, afirmou. Ela conta que essas situações podem aparecer em diferentes momentos da carreira e não necessariamente durante os ensaios. Isso porque o trabalho de um regente vai muito além da condução musical diante da orquestra.
“A função do regente extrapola completamente a sala de ensaio. Então essas barreiras são encontradas em diversas situações, não apenas na sala de ensaio”, disse. Dentro da sala de ensaio, porém, Cinthia acredita que a própria música ajuda a derrubar essas barreiras.
“A sala de ensaio vai ficando um pouco mais simples, porque o que importa é a música, não importa quem está ali na frente. Então, a música que vai dizer se os músicos devem seguir a pessoa no pódio ou não”, afirmou. Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN) se apresenta no Teatro Riachuelo em Natal Lew Ferreira O convite para reger a OSRN partiu do maestro titular da orquestra, Linus Lerner.
Cinthia conta que inicialmente não sabia que faria parte das comemorações pelos 50 anos da instituição. “Eu não sabia que faria parte das comemorações dos 50 anos da OSRN. Então, quando ele me contou mais para frente, eu fiquei muito contente, fiquei surpresa também com a questão de ser a primeira mulher a reger essa orquestra”, relatou.
A relação profissional entre os dois também ajudou a aproximar o convite. Linus já havia regido a orquestra de Campinas, onde Cinthia atua, o que permitiu que os dois conhecessem o trabalho um do outro. “Eu fiquei muito contente porque o Linus já regeu a nossa orquestra lá em Campinas.
Então eu estou vindo aqui também porque nós conhecemos o trabalho um do outro. Assim fica mais fácil. Fiquei muito feliz mesmo”, afirmou.
O próprio Linus Lerner destaca que o concerto foi pensado para estabelecer uma conexão entre diferentes períodos da história da música. “O nosso programa cria uma ponte entre diferentes épocas e culturas, mostrando como a expressão, a emoção e a capacidade da música podem nos tocar e continuam ecoando através do tempo. São obras em que encontramos intensidade, lirismo, paixão e uma enorme liberdade de expressão, características que marcam profundamente o espírito romântico”, afirmou.
“Ecos Românticos” reúne obras de três compositores que representam diferentes momentos e perspectivas da música de concerto: César Guerra-Peixe, Camille Saint-Saëns e Robert Schumann. O programa transita entre a produção brasileira do século 20 e o repertório europeu do Romantismo. Entre as obras está o Concerto para Violoncelo nº 1, em lá menor, Op.
33, de Camille Saint-Saëns, que terá como solista o violoncelista Ilia Laporev. A apresentação faz parte da programação especial pelos 50 anos da OSRN, uma trajetória que Cinthia considera significativa não apenas para o estado, mas para a música de concerto no país. “É um presente para o Brasil, e sobretudo para o Nordeste, ter uma orquestra sinfônica perseverando por 50 anos com um trabalho tão dedicado e uma equipe afinada no palco e nos bastidores”, declarou anteriormente a maestrina.
Da música ouvida ao pódio A relação de Cinthia com a música começou ainda na infância. Os pais tocavam violão e órgão, e ela e a irmã também estudavam música. No início, porém, a leitura de partituras era um desafio.
“Eu tinha uma enorme dificuldade de ler música, ler notação musical. Então eu tocava tudo de ouvido, até muito tempo depois que eu fui aprender a ler música de verdade”, contou. Ainda adolescente, começou a tocar profissionalmente.
Aos 12 ou 13 anos, tocava órgão em igrejas e também participava de casamentos. A experiência, de certa forma, já a aproximava de uma função que mais tarde se tornaria central em sua vida: a de organizar e conduzir músicos. “O organista sempre leva as partituras para os outros músicos, diz aqui vai ser isso, aqui vai ser aquilo.
Ou seja, tinha essa função de organização mesmo”, contou. Mais tarde, Cinthia estudou composição musical, área pela qual sempre teve interesse. Foi justamente a vontade de transformar uma ideia musical em som que a aproximou da regência.
“Todo compositor quer poder esculpir o som da maneira que pode, da maneira que tem em mente. Então eu comecei a me interessar um pouco”, explicou. A carreira passou ainda pelo canto, pela regência coral, pela música antiga e pela montagem de óperas e grupos próprios.
A experiência nos Estados Unidos também teve um papel importante na maneira como ela passou a enxergar a presença feminina na música. “Nos Estados Unidos isso já era muito mais diluído do que era no Brasil, há muito tempo atrás já. Então a gente tinha lá meninas compondo, meninas regendo, era de igual para igual”, afirmou.
Foi nesse percurso que a regência, segundo ela, deixou de ser apenas um sonho distante e se tornou um caminho natural. “Eu acho que a regência foi uma coisa muito natural para mim”, resumiu. Ingressos Os ingressos são gratuitos e serão disponibilizados em dois lotes.
O primeiro lote ficou disponível a partir das 9h de segunda-feira (24), pela plataforma Sympla. O voucher deverá ser trocado entre 18h e 19h no dia do concerto. Após esse horário, ele perde a validade.
O segundo lote poderá ser retirado presencialmente uma hora antes da apresentação, na bilheteria do Teatro Riachuelo. A organização também informou que haverá doação voluntária de 1 kg de alimento não perecível, destinado à comunidade de Nova Descoberta e à ONG Attransparência RN. Programação formativa Além do concerto, o Projeto Movimento Sinfônico também promove atividades de formação musical.
Nesta segunda-feira (24), às 17h, Cinthia Alireti ministra a masterclasse “Música, Gestão e Compromisso Social: A Profissão de Regente”, na Sala da OSRN, no Papódromo, no Centro Administrativo. Na terça-feira (25), também às 17h, será realizada uma masterclasse de violoncelo com Ilia Laporev, no mesmo local. Já na quarta-feira (26), às 14h30, o Teatro Riachuelo recebe um ensaio aberto voltado a estudantes.
Escolas da rede estadual devem procurar a Secretaria Estadual de Educação (SEEC). Outras instituições podem agendar participação pelo e-mail movimentosinfonico@gmail.com.
Masterclasse “Música, Gestão e Compromisso Social: A Profissão de Regente” Quando: segunda-feira (24), às 17h Local: Sala da OSRN, no Papódromo Masterclasse de Violoncelo com Ilia Laporev Quando: terça-feira (25), às 17h Local: Sala da OSRN, no Papódromo Ensaio aberto da OSRN Quando: quarta-feira (26), às 14h30 Local: Teatro Riachuelo Natal Agendamento: movimentosinfonico@gmail.com Agora no g1
