Lazelane Ferreira da Silva, finalista do Prêmio Educador Nota 10 e alunos Divulgação/Lazelane Ferreira da Silva O que começou como uma pergunta sobre como deixar a escola mais confortável virou uma experiência de aprendizado que já dura quase dois anos. Em uma pequena área do Colégio Estadual Professor Joaquim Carvalho Ferreira, em Goiânia, cerca de 70 estudantes passaram a plantar, cuidar e pesquisar árvores enquanto aprendiam, na prática, sobre clima, vegetação e meio ambiente.
A professora de geografia Lazelane Ferreira da Silva é uma das 12 finalistas da 28ª edição do Prêmio Educador Nota 10. O projeto “Miniflorestas como Estratégia para o Conforto Térmico” nasceu durante uma aula em que os alunos foram convidados a pensar em alternativas para melhorar o microclima da escola, localizada em uma região urbana com pouca arborização.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp A atividade contou com a participação da professora Izabelle Chaves, que na época era pesquisadora de doutorado da Universidade Federal de Goiás (UFG) e hoje doutora e professora em geografia. Entre as sugestões apresentadas pelos estudantes estavam a instalação de aparelhos de ar-condicionado e o plantio de árvores. Como os equipamentos teriam um custo elevado, a turma escolheu a arborização.
Com autorização da direção, uma área da escola foi escolhida para receber as primeiras mudas. Agora no g1 A proposta também permitiu que Lazelane aproximasse o conteúdo estudado em sala da realidade dos alunos. Segundo ela, o tema fazia parte de uma habilidade relacionada aos domínios morfoclimáticos, e a professora aproveitou a oportunidade para trabalhar clima e vegetação de maneira integrada.
“Quis relacionar o que a professora estava trabalhando sobre o clima com a vegetação, já que era um assunto que eu sempre trabalhei no colégio, seja através do plantio de árvores de forma isolada ou mesmo na criação de horta”, explicou Lazelane. De aula de geografia a espaço de pertencimento No início, foram plantadas cinco mudas: dois ipês, uma pata-de-vaca e um jacarandá-mimoso. Um pé de limão levado por um aluno também acabou fazendo parte da minifloresta.
O trabalho, no entanto, não terminou depois do plantio. Os estudantes pesquisaram as espécies, acompanharam o crescimento das árvores e participaram dos cuidados com o espaço. Aos poucos, outras turmas também foram envolvidas nas atividades.
Para Lazelane, uma das principais mudanças foi justamente a relação dos estudantes com o lugar onde estudam. Segundo ela, os alunos passaram a cuidar mais da área e a relacionar os conhecimentos adquiridos com situações do próprio cotidiano.
LEIA TAMBÉM: Chaminés de Fadas são abertas para visitação em fase de testes; veja como visitas irão funcionar Professor da UFG é o brasileiro mais influente em Inteligência Artificial, diz estudo Professor que viajou por engano a Goiânia ao tentar ir à Guiana volta à capital: 'Estou muito feliz em rever todas as pessoas' Ela afirma que esse processo ajudou a construir uma relação de afetividade e pertencimento com a escola.
“Os estudantes passaram a cuidar mais do lugar em que a minifloresta foi plantada e relacionar o que foi aprendido com o seu cotidiano, demonstrando a construção de afetividade e pertencimento com a escola”, contou. O envolvimento dos alunos também trouxe para dentro da sala de aula conhecimentos que já faziam parte da vida de alguns deles.
Em conversas durante as etapas do projeto, Lazelane ouviu relatos de estudantes que tinham familiares que haviam estudado na mesma escola e enxergavam as árvores como um legado deixado para as próximas gerações. Outros contavam que ajudavam parentes durante as férias e, por isso, já conheciam determinadas espécies ou sabiam manusear instrumentos utilizados no trabalho.
Para a professora, esses momentos foram especialmente marcantes porque fizeram com que os conhecimentos prévios dos estudantes ganhassem espaço na atividade e despertassem a curiosidade dos colegas. Clima, vegetação e aprendizado na prática A minifloresta também passou a funcionar como uma espécie de laboratório a céu aberto para as aulas de geografia. Os estudantes puderam observar no próprio ambiente escolar conceitos relacionados ao clima urbano e à vegetação.
Entre os temas trabalhados estão cobertura vegetal, sombreamento, conforto térmico, qualidade do ar, absorção de água pelo solo, bioma, elementos físicos naturais e as chamadas ilhas de calor e de frescor. Segundo Lazelane, a proposta também mudou a forma como os alunos se relacionam com esses conteúdos. “É um contato mais empático com os alunos e suas percepções sobre o lugar, trazendo à tona diferentes formas de engajamento, leitura e conexão com as temáticas abordadas”, explicou.
A área escolhida para o plantio, que antes apresentava sinais de degradação, também passou por mudanças. Embora as árvores ainda sejam pequenas, a professora diz que já é possível perceber alterações no solo e uma melhora na sensação do ambiente. “Apesar de serem ainda pequenas, é possível verificar que o solo foi transformado, que o ambiente está mais agradável”, afirmou.
Projeto despertou novas pesquisas O trabalho também começou a influenciar outras atividades dentro da escola. Lazelane passou a levar diferentes turmas para conhecer o local, inclusive estudantes que não participaram da etapa inicial. A intenção é transformar a área em um espaço de aprendizagem utilizado por toda a comunidade escolar.
O projeto também despertou o interesse de professores que desenvolvem atividades de iniciação científica. Uma das docentes, Nilza, pretende trabalhar com os estudantes o registro e a identificação das árvores existentes no espaço. “Quero que eles conheçam o local e possam entender que lá é um espaço de aprendizagem para toda comunidade escolar”, disse Lazelane.
Segundo a professora, o interesse de outros colegas em pesquisar as possibilidades do ambiente é motivo de satisfação. Para ela, a minifloresta deixou de ser uma iniciativa restrita a uma turma e passou a abrir novas possibilidades de investigação dentro da escola.
Espaço para aprender e conviver Alunos trabalham no projeto “Miniflorestas como Estratégia para o Conforto Térmico” junto a professora Lazelane Divulgação/Lazelane Ferreira da Silva Com quase dois anos de projeto, Lazelane pretende consolidar a área como um espaço permanente de aprendizagem e convivência. A ideia é que o local seja utilizado tanto para atividades pedagógicas quanto para a interação dos estudantes com a natureza.
A professora destaca que os alunos passam grande parte do dia na escola e que o calor durante os períodos de estiagem pode afetar até mesmo o rendimento escolar. “Os estudantes passam o dia todo no colégio e, principalmente nos meses de estiagem, não é fácil ficar só em sala de aula e o rendimento cai muito. Ter esse espaço para eles aprenderem sem perder a qualidade do ensino é maravilhoso”, afirmou.
Reconhecimento nacional O projeto colocou Lazelane entre os três destaques da categoria Sustentabilidade do Prêmio Educador Nota 10. Ao todo, a edição deste ano selecionou nove professores de escolas públicas e privadas de diferentes regiões do país, além de três gestores escolares. Os projetos dos professores finalistas estão relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Para Lazelane, a notícia da classificação foi recebida com alegria, mas o significado da indicação vai além do reconhecimento pessoal. “Recebi a notícia com muita alegria, pois estar entre os finalistas do maior prêmio de reconhecimento da Educação Básica do Brasil é simplesmente incrível”, afirmou. Ela considera que a indicação também valoriza o trabalho realizado diariamente dentro das escolas.
“Essa indicação representa a valorização do nosso trabalho que, ao longo dos anos, vem sendo desenvolvido com responsabilidade e dedicação e que agora só evidencia o que acontece de fato no chão da escola”, disse. Criado em 1998 pela Fundação Victor Civita, o Prêmio Educador Nota 10 é realizado desde 2023 pelo Instituto Somos, em parceria com o Ministério da Cultura.
Ao longo de 28 anos, segundo a organização, mais de 90 mil projetos foram inscritos e 288 educadores, entre professores e gestores, receberam a premiação, que já distribuiu mais de R$ 3 milhões. Premiação Os vencedores serão anunciados em 10 de novembro, durante uma cerimônia presencial na Pinacoteca de São Paulo. Em cada categoria, os três primeiros colocados receberão, respectivamente, R$ 25 mil, R$ 20 mil e R$ 15 mil.
Os premiados também terão direito a uma bolsa de pós-graduação no Singularidades, além de acesso a plataformas de formação continuada para educadores e de correção de redações. Os três projetos que conquistarem o primeiro lugar em seus respectivos eixos ainda disputarão o título de Educador do Ano. O vencedor dessa categoria receberá também uma doação de R$ 25 mil para a escola envolvida no projeto, que poderá ser destinada a produtos e/ou serviços.
*Michely Loures é integrante do programa de estágio entre TV Anhanguera e Universidade Federal de Goiás (UFG), sob orientação de Gilmara Roberto. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
