Erika Hilton (PSOL-SP), Thabatta Pimenta (PV-RN) e Duda Salabert (PSOL-MG) são eleitas à Câmara dos Deputados Tony Winston/Câmara dos Deputados/Arquivo pessoal As eleições de 2026 levaram 35 candidatos LGBT+ a cargos no Legislativo, o maior número já registrado pelo Instituto Plena Cidadania. Erika Hilton (PSOL-SP) também se tornou a mulher mais votada em uma eleição para a Câmara dos Deputados. Ao todo, 519 candidatos LGBT+ disputaram as eleições neste ano e somaram mais de 10,7 milhões de votos.

O total de candidaturas também foi recorde: em 2022, foram 319, uma alta de 59% em quatro anos. Já o número de votos recebidos por candidatos LGBT+ mais que triplicou em relação à eleição anterior. Em 2022, 18 candidatos LGBT+ haviam sido eleitos.

Neste ano, os 35 eleitos ocuparão cadeiras no Senado, na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Veja, no final da matéria, a lista completa dos candidatos LGBT+ eleitos em 2026. Na Câmara, Erika Hilton e Duda Salabert (PDT-MG), primeiras mulheres trans eleitas deputadas federais no país, em 2022, conquistaram novos mandatos.

Thabatta Pimenta (PV-RN), que estreia na Casa, será a terceira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2027, segundo o levantamento do Instituto Plena Cidadania, serão 13 deputados federais e uma senadora LGBT+ no Congresso Nacional. Agora no g1 Conheça as parlamentares transexuais eleitas para a Câmara em 2026 Erika Hilton tem 33 anos e é natural de Franco da Rocha, em São Paulo.

Disputa eleições desde 2016 e foi eleita pela primeira vez em 2020 a vereadora da capital paulista. Na Câmara, é autora de 113 projetos de lei e ganhou repercussão pela defesa dos direitos LGBTQIA+, direitos das mulheres, trabalho e combate à discriminação. É titular da comissão que discutiu o fim da Escala 6X1, ganhando repercussão e destaque no caso.

A deputada reeleita bateu o recorde que pertencia a Joice Hasselman e tornou-se a mulher mais votada da história da Câmara de Deputados, com mais de 1,5 milhão de votos. Quem é Erika Hilton, mulher que se tornou a mais votada da história para a Câmara Duda Salabert tem 45 anos e é professora, natural de Belo Horizonte, Minas Gerais. Disputa eleições desde 2018 e foi eleita pela primeira vez em 2020, tornando-se vereadora pelo PDT em Belo Horizonte.

Apesar do mandato como deputada federal em 2022, tentou eleger-se prefeita de Belo Horizonte em 2024, mas acabou derrotada. Na Câmara, a atuação da deputada se concentra principalmente em meio ambiente, proteção animal, educação e direitos humanos. Ela é autora de 605 projetos de lei.

Com mais de 229 mil votos, Duda foi a terceira deputada federal mais votada em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Thabatta Pimenta, estreante na Câmara dos Deputados, tem 34 anos e nasceu em Carnaúba dos Dantas, Rio Grande do Norte. Essa é a quinta eleição em que disputa cargos políticos.

De acordo com material de campanha disponibilizado pela candidata, Thabatta é mãe atípica e atua na defesa de pessoas com deficiência, além de pautas da comunidade LGBT. Thabatta foi a oitava mais eleita no Rio Grande do Norte, com mais de 90 mil votos. No recorte específico de pessoas trans, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 20.989 candidaturas no total, 107 (0,51%) foram de pessoas transexuais.

Essa foi a primeira vez que o Tribunal mapeou a identidade de gênero dos candidatos. Até então, o levantamento era feito por entidades ligadas ao movimento LGBTQIA+. 🔎 Em 2022, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) mapeou 79 candidaturas de pessoas transexuais nas eleições.

Raio-X dos candidatos eleitos Segundo o levantamento do Instituto Plena Cidadania, as candidaturas eleitas são protagonizadas por mulheres e pessoas negras. Dos 35 LGBT+ eleitos, 27 são mulheres. Já 22 eleitos, entre homens e mulheres, são pessoas negras.

Além das três deputadas eleitas para a Câmara dos Deputados, outras quatro mulheres trans foram eleitas para cargos políticos em 2026. Em relação ao espectro político, todas as candidaturas LGBT+ eleitas pertencem a partidos de esquerda. Das 516 candidaturas que concorreram à eleição, 408 pertenciam a partidos de esquerda, 64 a partidos de centro e 44 a partidos de direita.

Ainda que represente um número recorde, os LGBT+ seguem subrepresentados na política. Segundo o Instituto Plena Cidadania, enquanto a comunidade representa 9% da população brasileira, as vagas ocupadas por eles no Legislativo somam 2,15%. A concentração das candidaturas eleitas também está na região Sudeste, com 20 eleitos do total de 35.

Pautas da comunidade para 2027 No Brasil, segundo a Antra, pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram mortas em 2025. O número é o menor em dez anos. Apesar disso, segundo a Antra, o estudo mantém o Brasil, pelo 17º ano consecutivo, como o país mais perigoso para a população trans em todo o mundo.

A violência política também é pauta para a comunidade, especialmente para os que disputam cargos políticos: 94% das candidaturas LGBT+ desta eleição, segundo o Instituto Plena Cidadania, relataram ter sofrido episódios de violência política. Entre os 35 eleitos, oito disseram já ter recebido ameaças de morte. Com o aumento das bancadas LGBTs pelo país, a expectativa é que projetos de lei que pautem a proteção e mais direitos para a comunidade consigam avançar nas respectivas Casas legislativas.

Fontes ligadas ao movimento, ouvidas pelo g1, destacam também que a empregabilidade de pessoas LGBTs e pautas ligadas ao não-retrocesso de direitos já garantidos fazem parte da agenda dos candidatos eleitos. Os principais direitos da comunidade LGBT, como o casamento homoafetivo, a adoção de crianças por casais LGBTs, doação de sangue e a criminalização da homofobia e transfobia, foram conquistados por meio de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), em vez do processo legislativo regular.

Como o próximo presidente da República indicará pelo menos quatro ministros ao Supremo, as movimentações no Judiciário também entraram no radar da comunidade. Veja a lista de candidatos LGBT+ eleitos em 2026. g1 / ONG VoteLGBT+