OMS aprova proposta do Brasil para incluir feminicídios na Classificação Internacional de Doenças Adobe Stock A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou, nesta quinta-feira (15), uma proposta apresentada pelo Brasil para aprimorar a identificação da violência baseada em gênero na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), incluindo as mortes de mulheres decorrentes desse tipo de violência, como os feminicídios.

A mudança permitirá identificar feminicídios também nos registros de saúde, além dos sistemas de segurança pública. ENTENDA: A CID, Classificação Internacional de Doenças, é utilizada pela OMS para padronizar o registro de doenças, condições de saúde e causas de morte. Com a proposta brasileira, mortes de mulheres motivadas por violência de gênero poderão ser identificadas de forma específica, em vez de serem registradas apenas como agressões.

A decisão foi tomada por unanimidade durante a Reunião Anual da Rede de Centros Colaboradores para a Família de Classificações Internacionais da OMS, realizada em Sydney, na Austrália. A iniciativa, apresentada pelo Ministério da Saúde brasileiro, busca dar visibilidade a circunstâncias que podem ficar ocultas nas estatísticas.

O objetivo é tornar os registros mais precisos e comparáveis entre países, permitindo dimensionar melhor o problema e orientar políticas públicas de prevenção da violência e proteção das mulheres. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Agora no g1 O que muda com a proposta brasileira? A Classificação Internacional de Doenças (CID-11) é o sistema utilizado pela OMS para padronizar a identificação de doenças, condições de saúde e causas de morte.

A proposta brasileira prevê aprimorar os registros relacionados à violência baseada em gênero, permitindo identificar especificamente os óbitos de mulheres decorrentes dessa forma de violência. Atualmente, quando essas mortes são classificadas apenas como agressões, informações sobre as circunstâncias relacionadas ao gênero podem não aparecer nos registros.

Segundo o Ministério da Saúde, a identificação mais detalhada permitirá ampliar o conhecimento sobre o problema e subsidiar o planejamento e a avaliação de políticas públicas. O texto divulgado pelo governo brasileiro não informa quando a alteração será incorporada à CID-11 nem como ocorrerá sua implementação nos sistemas de registro. Como a mudança pode ajudar a prevenir a violência?

Além de aprimorar as estatísticas de mortalidade, a iniciativa pode contribuir para a identificação de situações de violência nos serviços de saúde. Isso porque muitas mulheres procuram atendimento médico em decorrência de agressões e outras formas de violência. De acordo com o Ministério da Saúde, registros mais precisos podem ajudar a reconhecer trajetórias de violência, oferecendo informações para orientar medidas de prevenção, cuidado e proteção.

A possibilidade de comparar os dados entre diferentes países também poderá contribuir para a avaliação das estratégias adotadas pelos governos. SUS oferece atendimento psicológico remoto a mulheres em situação de violência A proposta aprovada pela OMS integra um conjunto de iniciativas do Ministério da Saúde voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

Neste ano, além do acolhimento nos serviços de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer teleatendimento em saúde mental para mulheres em situação de violência. O serviço está disponível por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Aprovação ocorreu durante encontro internacional A reunião da Rede de Centros Colaboradores para a Família de Classificações Internacionais da OMS começou na segunda-feira (12), em Sydney, reunindo especialistas para discutir propostas de aprimoramento da CID-11.

A iniciativa brasileira foi aprovada na quinta-feira (15), e o encerramento do encontro está previsto para este sábado (17), após a conclusão das discussões técnicas.