Rio Branco em Boa Vista, em foto tirada em setembro de 2026. Ronny Alcântara/Rede Amazônica A Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) anunciou a perfuração de novos poços artesianos e o uso de caminhões-pipa manter o abastecimento de água em Boa Vista e conter a falta do serviço em municípios do interior. As medidas foram anunciadas em coletiva nesta quarta-feira (7) e buscam diminuir os impactos da seca provocada pelo fenômeno El Niño.

Entenda🔎: El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Ele pode alterar a circulação da atmosfera e mudar padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes partes do mundo. Roraima está sob decreto de situação de emergência desde 2 de setembro.

A medida vale por 180 dias e permitiu que o estado adotasse ações mais rápidas contra a estiagem, sob coordenação de um gabinete de crise que reúne 19 órgãos estaduais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Com a falta de chuvas e o calor, o nível do Rio Branco em Boa Vista chegou a 80 centímetros nesta quarta-feira (7). Em Caracaraí, no Sul do estado, a marca é de 1,34 metro.

O menor nível da história é de 59 centímetros negativos. Para evitar que o sistema pare caso o rio seque mais, a Caer instalou uma bomba extra de captação de água em uma balsa. A capital possui 110 poços, mas eles podem perder até 20% da força nos meses mais quentes porque o nível da água debaixo da terra segue baixando.

Para manter a pressão nas torneiras e evitar desequilíbrios na rede, a companhia furou novos poços nos bairros Vila Jardim e João de Barro. Estão previstas novas perfurações em outras cinco áreas da cidade e em dois centros de distribuição (Pintolândia e Cidade Satélite). Queda na produção no interior A falta de água avança nos municípios do interior.

O comandante do Corpo de Bombeiros de Roraima e coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Anderson Carvalho de Matos, afirmou que a crise hídrica exige ações antecipadas e destacou as áreas de maior atenção. "Rorainópolis, no Sul do estado, e Uiramutã e Pacaraima, no Norte, estão entre os municípios que preocupam o governo devido à escassez de água", pontuou o comandante. Em Rorainópolis, os 16 poços da cidade perderam 25% da água.

Em Caroebe, dois poços perderam 40% da capacidade. A Caer prometeu enviar caminhões-pipa e perfurar novos poços nesses dois municípios, além de mandar carros-pipa para áreas afetadas em Caracaraí, Pacaraima e Cantá. O reflexo da seca também atinge os rios do interior.

Para evitar que ribeirinhos fiquem isolados, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) negocia um plano para usar aviões no transporte de pacientes e no envio de remédios para as comunidades. Coletiva para apresentar as ações de enfrentamento aos efeitos da estiagem na Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer). Naamã Mourão/Rede Amazônica Monitoramento de queimadas O clima seco também agravou incêndios florestais.

Roraima teve 87 focos de calor apenas em agosto (até o dia 27) e já soma 2.034 focos em 2026. Além do impacto ambiental, o fogo e a seca prejudicam o campo: a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Roraima (Aprosoja) estima que 50% da safra atual de grãos seja perdida.

O presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), Wagner Severo, explicou que o estado cruza imagens de satélite com os registros das propriedades e identificou que 20% das queimadas atuais ocorrem de forma ilegal. Segundo ele, o ápice da seca deve ocorrer entre novembro e janeiro. Se o cenário não melhorar, o governo pode proibir o uso do fogo até mesmo para quem tem licença.

"Nós temos uma reunião [do comitê do clima] prevista para o dia 14. Caso esses índices persistam, nós seremos obrigados a suspender provisoriamente as autorizações de queima", concluiu Severo. Por enquanto, a orientação da Femarh é que os produtores peçam a permissão de queima pela internet e acionem os brigadistas para acompanhar o uso controlado do fogo na lavoura.

El Niño: Ministério da Saúde reforça preparação do SUS para impactos da seca em Roraima Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.