Caso Bruno: bombeiro é preso e familiares fazem ato por paz O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, que matou a tiros o estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, em Taubaté, passa por audiência de custódia nesta quinta-feira (8). Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a audiência está prevista para a tarde, mas ainda não há horário definido. A audiência ocorre em razão do cumprimento do mandado de prisão de Marcos.
O TJ informou que, assim que a sessão for realizada, divulgará informações sobre o resultado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Marcos foi preso nesta quarta-feira (7), em São Paulo. Ele chegou a uma unidade policial na região da Casa Verde acompanhado de um oficial e em um veículo do Corpo de Bombeiros.
Depois dos procedimentos policiais, o bombeiro passou pelo Hospital da Polícia Militar, como parte do procedimento antes da entrada no sistema prisional, e foi levado ao Romão Gomes, presídio militar localizado na Zona Norte de São Paulo. Ele chegou à unidade por volta das 14h30, em um carro descaracterizado usado por oficiais e usando um agasalho com capuz.
Bombeiro que matou estudante de Medicina chega a presídio militar em SP A prisão preventiva havia sido determinada pela Justiça após recurso do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A ordem já havia sido expedida anteriormente, mas a legislação eleitoral impediu o cumprimento durante o período de restrição. A prisão passou a ser permitida a partir da tarde de terça-feira (6).
O MP-SP denunciou Marcos por homicídio qualificado pela morte de Bruno. A denúncia foi apresentada na terça-feira (6) e ainda precisa ser analisada pela Justiça. O Ministério Público aponta duas qualificadoras: motivo fútil, por considerar que o crime ocorreu após uma discussão de trânsito, e recurso que dificultou a defesa da vítima, sob a alegação de que Bruno teria sido surpreendido pela ação do bombeiro.
Após se entregar, bombeiro acusado de matar estudante de medicina é levado para delegacia em SP Arquivo pessoal Segundo a investigação da Polícia Civil, Marcos saiu do Jeep Renegade que dirigia, foi até o carro de Bruno, quebrou o vidro da porta do motorista e atirou contra o estudante. Bruno foi atingido por quatro disparos — no pescoço, no tórax e no braço esquerdo — e morreu. A Polícia Civil concluiu o inquérito em 2 de outubro e também indiciou Marcos por homicídio qualificado.
Novo depoimento Um novo depoimento prestado à Polícia Civil reforçou a versão de que Marcos teria iniciado a abordagem contra Bruno. Segundo a testemunha, os dois carros estavam parados em um semáforo na Avenida do Povo, em Taubaté, quando o motorista do Jeep teria gritado para o estudante descer do veículo. Na sequência, ainda de acordo com o depoimento, Marcos teria quebrado o vidro de um carro com o cotovelo, levantado a camiseta, sacado uma arma preta e feito cinco disparos contra Bruno.
A testemunha afirmou que não viu uma reação agressiva da vítima antes dos tiros. Também disse que não viu Bruno portar qualquer objeto ou arma. O depoimento foi anexado ao processo.
Uma fotografia obtida pelo g1 também mostra um canivete encontrado dentro do carro de Bruno. O objeto tem cabo azul e parte cortante prateada e aparece próximo a estilhaços de vidro. Testemunha diz que bombeiro quebrou vidro com cotovelo, xingou e atirou 5 vezes; estudante não reagiu, segundo depoimento; FOTO mostra canivete Arquivo pessoal O canivete foi apreendido durante a investigação e encaminhado para análise.
A Polícia Civil não encontrou uma arma de fogo com Bruno. A existência do canivete é citada na versão apresentada por Marcos. Segundo o bombeiro, ele acreditou que estava sendo ameaçado e afirmou ter agido em legítima defesa.
Defesa Desde o início da investigação, a defesa de Marcos sustenta que ele teria agido em legítima defesa. O bombeiro afirmou que acreditou estar sendo alvo de uma tentativa de assalto e que viu um objeto que teria parecido uma arma. Após a denúncia do MP-SP, a defesa informou, por meio de nota, que adotará as medidas cabíveis e que apresentará suas manifestações e teses defensivas no processo, respeitando o contraditório e a ampla defesa.
Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, era estudante do 4º semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). Reprodução/TV Vanguarda O caso Bruno Hashimura San Juliano era estudante do quarto semestre de Medicina da Universidade de Taubaté (Unitau). Ele foi morto na tarde de 30 de setembro, após uma discussão de trânsito.
Imagens de câmeras de segurança mostram os dois veículos trafegando lado a lado pela Avenida do Povo, em Taubaté, minutos antes do crime. Em um dos registros, os carros se aproximam da entrada de um túnel e há uma disputa por espaço entre os veículos. Pouco depois, os dois aparecem novamente próximos em outro trecho da avenida.
A investigação aponta que, posteriormente, Marcos saiu do veículo, foi até o carro de Bruno e disparou contra o estudante. Após os tiros, Bruno saiu do carro pelo lado do passageiro, tentou fugir e caiu. Ele morreu no local.
A família e amigos de Bruno realizaram manifestações e atos em pedido de Justiça após a morte do estudante. Uma semana depois do crime, colegas também prestaram homenagens durante a retomada das aulas na Faculdade de Medicina da Unitau. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
