Moradores denunciam infestação de moscas, e MP apura casos em MS MPMS O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga a proliferação de moscas em pelo menos duas cidades do estado. Em Angélica, a apuração busca esclarecer se há relação entre a presença dos insetos e as atividades de uma usina de açúcar e álcool. Já em Ivinhema, a investigação envolve uma granja avícola, onde fiscais encontraram larvas de moscas e problemas no manejo de resíduos.
Os dois casos são investigados separadamente e começaram após relatos de moradores sobre os transtornos provocados pelos insetos. As apurações buscam esclarecer as causas da infestação, verificar possíveis irregularidades ambientais e sanitárias e avaliar as medidas necessárias para solucionar os problemas.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Agora no g1 Angélica: suspeita envolve usina de açúcar e álcool Em Angélica, o MPMS instaurou um inquérito civil para apurar se a proliferação de moscas do estábulo tem relação com as atividades de uma usina localizada na zona rural do município. Moradores e produtores rurais relataram prejuízos à criação de animais, à produção de leite e à rotina das propriedades. Também há relatos de ataques dos insetos a pessoas e de mortes de animais domésticos.
Uma das hipóteses investigadas é a de que o manejo inadequado de resíduos orgânicos da atividade sucroenergética, como a vinhaça, possa favorecer a reprodução das moscas. A relação, no entanto, ainda precisa ser comprovada. A investigação considera informações de fiscalizações da Polícia Militar Ambiental, que vistoriou o pátio de compostagem de material orgânico e os reservatórios de vinhaça da propriedade onde fica a usina.
O MPMS também pretende analisar documentos técnicos para esclarecer as possíveis causas do problema. A usina possui licença de operação renovada pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), válida até 27 de outubro de 2031. Mesmo assim, o Ministério Público apura se as atividades podem estar provocando impactos ambientais ou riscos à saúde pública.
Ivinhema: granja foi interditada após fiscalização Moradores denunciam infestação de moscas, e MP apura casos em MS MPMS Em Ivinhema, o MPMS investiga uma granja avícola após denúncias de moradores sobre a presença de moscas e larvas em residências do município. O caso chegou ao Ministério Público por meio de uma representação apresentada por um vereador. Fotos anexadas às denúncias mostram insetos sobre utensílios domésticos, embalagens de alimentos e estruturas das casas.
As fiscalizações identificaram problemas no controle das moscas e no manejo dos resíduos da granja. Em uma inspeção realizada em 20 de agosto de 2026, a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) encontrou larvas vivas em diferentes fases de desenvolvimento. O relatório apontou acúmulo de dejetos de aves a céu aberto, telas rasgadas ou suspensas nos galpões, portas abertas na composteira e falhas na aplicação de inseticidas.
Também foram encontrados entulhos de construção na propriedade. Diante das irregularidades, as instalações foram interditadas sanitariamente até que os problemas fossem corrigidos. O Imasul também notificou a empresa para adequar a composteira, construir uma área impermeabilizada para secagem dos dejetos com sistema de contenção de chorume, regularizar a captação de água subterrânea e apresentar um cronograma de reforma dos galpões.
Em uma nova vistoria, no fim de agosto, a Iagro constatou melhora nos galpões e uma interrupção temporária do ciclo de reprodução das larvas após medidas emergenciais adotadas pela granja. A defesa técnica da empresa afirmou que o estabelecimento passa por uma transição do sistema de criação de galinhas em gaiolas para o modelo em que as aves ficam soltas sobre uma cama de maravalha.
A empresa também recusou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), alegando que está resolvendo as pendências por conta própria. Apesar da melhora identificada nas inspeções, moradores do bairro Eco Park voltaram a relatar a presença de moscas nas casas vizinhas. A diferença entre os relatos da comunidade e os resultados das vistorias levou o Ministério Público a instaurar um inquérito civil.
MPMS quer esclarecer causas e cobrar providências Nos dois municípios, as investigações buscam esclarecer a origem da proliferação dos insetos e verificar se há responsabilidade dos empreendimentos envolvidos. Em Ivinhema, o Ministério Público determinou a oitiva de moradores e a realização de uma perícia técnica ambiental pela Secretaria de Desenvolvimento de Apoio às Atividades de Execução (Daex), além do acompanhamento das exigências feitas pelos órgãos de fiscalização.
A empresa também recebeu prazo de 10 dias úteis para apresentar defesa e eventuais questionamentos à perícia. Em Angélica, a apuração deve aprofundar a análise de documentos e informações técnicas para esclarecer se existe relação entre as atividades da usina e os problemas relatados pela população. Os inquéritos estão em andamento.
Até a conclusão das investigações, não há confirmação de que os empreendimentos sejam os responsáveis por todos os problemas relatados pelos moradores. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
