Dr. Luizinho (PP) Reprodução/Facebook Dr. Luizinho (PP) foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro nas eleições deste domingo (4).

O parlamentar recebeu 213.904 votos, o equivalente a 2,41% dos votos totais, e garantiu a reeleição para a Câmara dos Deputados. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A votação representa um crescimento em relação aos dois pleitos anteriores. Em 2018, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez, Dr.

Luizinho recebeu 103.745 votos. Em 2022, chegou a 190.071 votos. A eleição deste domingo representa, portanto, sua terceira reeleição para a Câmara.

Antes de retornar ao Congresso, Dr. Luizinho ocupou o cargo de secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro. A passagem pela pasta colocou o deputado no centro de decisões sobre a política de saúde do estado, mas também foi acompanhada por investigações e questionamentos envolvendo contratos públicos.

Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) vão para 2º turno no RJ; decisão ainda depende do TSE Líder do PP na Câmara Em setembro de 2023, Dr. Luizinho deixou a Secretaria Estadual de Saúde e reassumiu o mandato de deputado federal. Naquele mesmo período, foi escolhido por aclamação como líder do Progressistas na Câmara dos Deputados.

Segundo reportagem publicada pelo g1 à época, o parlamentar era considerado um nome que tinha boa relação tanto com o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, quanto com o então presidente da Câmara, Arthur Lira, também do partido. A escolha, porém, não foi unânime dentro da bancada.

Alguns deputados mais alinhados ao governo federal demonstraram resistência ao nome de Luizinho e avaliaram que a escolha poderia representar uma tentativa da direção do partido de manter uma posição de maior independência em relação ao governo. Passagem pela Secretaria de Saúde Dr. Luizinho comandou a Secretaria Estadual de Saúde durante o governo Cláudio Castro.

Em setembro de 2023, sua exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado, um dia depois de o RJ1 divulgar um relatório do Tribunal de Contas do Estado que apontava indícios de irregularidades em contratos da Fundação Estadual de Saúde. Segundo a investigação divulgada pela TV Globo, quatro empresas eram alvo de questionamentos, e os contratos somavam mais de R$ 40 milhões. A reportagem apontava ainda que algumas das empresas eram ligadas a funcionários da própria Fundação, situação proibida pela legislação.

A assessoria de Dr. Luizinho afirmou à época que a saída da secretaria já estava programada antes da divulgação da reportagem. Dr.

Luizinho assumiu a secretaria de Saúde do RJ no dia 2 de janeiro Divulgação / Governo do RJ Empresa na mira da PF Em maio de 2023, o g1 revelou que uma empresa que havia recebido mais de R$ 2,6 milhões do governo do Rio estava na mira de uma investigação da Polícia Federal. A Ralic Comércio e Distribuição mantinha contratos com o governo estadual para fornecimento de medicamentos. Segundo a reportagem, o então dono da empresa, Rafael Bittencourt Licurci de Oliveira, era amigo de Dr.

Luizinho, que ocupava a Secretaria Estadual de Saúde. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), citado na investigação, apontava fortes indícios de lavagem de dinheiro envolvendo a empresa e seu antigo proprietário. Entre 2017 e 2018, segundo o documento, entraram R$ 11 milhões nas contas da empresa, enquanto quase R$ 998 mil foram sacados em dinheiro.

Dr. Luizinho reconheceu a amizade com Rafael Bittencourt, mas negou relação com a Ralic. À época, afirmou que se tratava de uma "ilação sem fundamento" e disse que a empresa nunca havia prestado serviços ao município de Nova Iguaçu durante sua gestão como secretário nem havia sido contratada pela Secretaria Estadual de Saúde naquele período.

O.S. investigada Outra investigação citada em reportagens do g1 envolveu o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), organização social que recebeu contratos em diversos municípios do estado, principalmente na Baixada Fluminense, região considerada reduto eleitoral de Dr. Luizinho.

Segundo os dados levantados na investigação, os valores empenhados para a organização social somavam centenas de milhões de reais em municípios como Queimados, Mesquita, Belford Roxo, Barra Mansa e Nova Iguaçu. Em Nova Iguaçu, um contrato de aproximadamente R$ 32 milhões foi alvo de investigação do Ministério Público. Os investigadores questionavam a contratação sem licitação e apuravam possíveis relações entre dirigentes da organização social e agentes políticos.

O IMP também firmou contrato com a Prefeitura de Magé. Em um contrato anterior, o Tribunal de Contas havia apontado restrições ao caráter competitivo da licitação e determinado que o acordo não fosse prorrogado. Empresas ligadas à família A atuação de empresas ligadas a pessoas próximas à família de Dr.

Luizinho também foi investigada. Uma delas tratou do laboratório LLR Médicos Associados, que prestava serviços à Fundação Saúde e recebeu cerca de R$ 5,2 milhões do governo estadual. Segundo a investigação, parte dos pagamentos — aproximadamente R$ 3,6 milhões — foi feita sem contrato.

PF vê indícios de lavagem de dinheiro em empresa que já foi de amigo de Secretário A reportagem apontou ainda que a empresa tinha endereço relacionado ao PCS-Saleme, laboratório investigado no caso dos órgãos transplantados contaminados por HIV. A Justiça determinou a prisão de sócios e funcionários do laboratório responsável pelos exames que liberaram os órgãos para os transplantes. O proprietário da LLR, segundo a reportagem, mantinha sociedade com Matheus Teixeira Vieira, dono do PCS-Saleme e primo de Dr.

Luizinho. A investigação também mostrou que a empresa havia mudado de ramo: originalmente chamada Key-image, atuava no setor de impressões e fotografia. No fim de 2022, passou a atuar na área médica e, meses depois, começou a receber contratos públicos.

De volta à Câmara Com a saída da Secretaria Estadual de Saúde, Dr. Luizinho retornou à Câmara dos Deputados e reassumiu o protagonismo dentro do Progressistas. Agora, com 213.904 votos, o deputado amplia sua votação em relação às duas eleições anteriores e termina 2026 como o candidato mais votado do Rio de Janeiro para a Câmara dos Deputados.