Violência : Em 2025, adolescente de 15 anos foi espancada em frente a escola estadual de Matão (SP) Redes Sociais As escolas são pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes. Ao menos, é nisso que acreditam 7 em cada 10 brasileiros (73,%), de acordo com um novo recorte da pesquisa Infinis/Quaest divulgado nesta quarta-feira (30). Somente 26% dos brasileiros consideram a escola um ambiente seguro.
O dado é da pesquisa "Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes", realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest, que divulgam hoje um novo recorte do levantamento. No primeiro recorte, a pesquisa revelou que, apesar da maioria dos brasileiros considerarem que o diálogo é a melhor forma de educar crianças, práticas violentas seguem presentes no cotidiano.
Agora, o levantamento detalha qual a percepção dos brasileiros sobre o papel da escola na proteção das crianças. A pesquisa observa atitudes e percepções em relação à infância e à violência contra crianças e adolescentes. O levantamento ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais em 128 municípios entre 29 de maio e 7 de junho de 2026.
Agora no g1 Brasileiros ‘confiam pouco’ nas escolas Quando considerando quais instituições os brasileiros mais confiam para garantir a proteção de crianças e adolescentes, as escolas aparecem quase no fim da lista entre as que “confiam muito”, ficando acima apenas de abrigo e ONGs. Psicólogos, Polícia e Conselho Tutelar são as instituições com maior faixa de ampla confiabilidade. Em contrapartida, as escolas aparecem em destaque no recorte de “confiam pouco”.
Ou seja, apenas 30% dos brasileiros afirmam confiar muito nas instituições de ensino, enquanto 55% confiam pouco e 14% não confiam. Em 2021, 55% dos brasileiros confiavam totalmente nas escolas (faixa de avaliação mais alta da ocasião). Em 2026, a faixa mais alta foi “confia muito”, e ficou em apenas 30%.
Não consideram a escola um lugar seguro 7 em cada 10 brasileiros não consideram a escola um lugar seguro. O levantamento considera a opinião de pessoas com e sem filhos, e da rede pública ou privada. Entre os pais e mães com filhos em idade escolar matriculados na rede pública, a faixa de insegurança é mais alta (72%) do que entre pais e mães com filhos na rede privada (59%).
👉🏾 Mas por que a escola não está sendo considerada como um local seguro? O principal motivo citado pelos brasileiros para não considerarem a escola como um lugar seguro é a violência entre alunos (70%). Violência de profissionais da escola contra alunos (8%) e ambos (18%) também aparecem como motivos.
4% não sabe ou não respondeu. Para Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, os dados desenham um um alerta importante sobre como a escola é vista no país. Na percepção da população, a escola deixa de ser vista como um espaço protetivo para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes e passa a ser percebida como um ambiente de risco.
Isso é um problema para toda a sociedade, porque pode trazer repercussões para o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes, inclusive para a aprendizagem. O que tornaria a escola segura Quando perguntados sobre o que poderia tornar as escolas mais seguras, os brasileiros se dividem sobre como a responsabilidade pode ser encarada.
23% falam em maior participação das famílias nas escolas; 23% citam professores [capacitados] para identificar violência; 19% falam em parceria com Conselho Tutelar, saúde e Assistência Social; 17% pedem psicólogos e apoio na escola; 12% citam ações de prevenção e orientação sobre violência; outros 6% falam em outras alternativas, não sabem ou não responderam.
Márcia Kalvon avalia que os dados são claros ao mostrar que, para os brasileirios, um ambiente escolar mais seguro demanda educadores preparados, família e comunidade escolar unidas e a criação de espaços de escuta para crianças e adolescentes. Ela reforça que algumas políticas públicas existentes já indicam o caminho, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, e o Programa Saúde na Escola, que trabalha temas como cultura de paz e saúde mental.
"Essas iniciativas podem oferecer ferramentas para que crianças e adolescentes aprendam a lidar com conflitos e situações desafiadoras nas relações entre os próprios alunos. Precisamos fortalecer essas políticas e avançar em uma atuação intersetorial, articulando educação, saúde, famílias e os demais integrantes da rede de proteção para enfrentar o cenário apontado pela pesquisa”, complementa.
