O aposentado Santo Lourenço Dias quer aprender a dar “like” nas publicações de que gosta Paula Maciulevicius/SEC Aos 83 anos, o aposentado Santo Lourenço Dias já sabe usar o celular para assistir a vídeos, ouvir hinos e fazer ligações. Mas ainda falta aprender uma coisa: dar “like” nas publicações de que gosta. Foi com essa vontade que ele participou de uma oficina gratuita de inclusão digital para pessoas com 60 anos ou mais, realizada no bairro Vila Popular, em Campo Grande.

Seu Santo chegou ao local sem o celular e precisou voltar para casa correndo para buscar o aparelho. Afinal, queria acompanhar as explicações na prática e aprender a mexer nas funções do telefone. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Agora no g1 “Eu uso mais para receber telefonemas, assistir ao YouTube, escutar um hino e fazer ligações.

Mas, falar que eu sei usar, eu não sei, não. Tenho que aprender essas coisas de ‘dar like’, como dizem nos vídeos”, conta. A oficina é promovida pela Secretaria de Estado da Cidadania, em parceria com o Sesi.

As aulas são realizadas em um ônibus adaptado como sala de aula, equipado com notebooks, cadeiras e materiais didáticos. São 18 vagas por turma. Do tamanho das letras aos likes nas redes sociais Antes de ensinar a usar aplicativos e redes sociais, a instrutora Deize Staub começa pelo básico: as configurações do celular.

Uma das primeiras orientações é ajustar o tamanho das letras para facilitar a leitura, especialmente para quem tem dificuldade de enxergar. “Se eles já não enxergam bem, não vão conseguir reter todas as informações que serão passadas”, explica. O aprendizado acontece aos poucos, com demonstrações nos próprios aparelhos dos participantes.

A ideia é mostrar que é possível explorar as funções do telefone sem medo de estragar o aparelho ou apagar alguma informação importante. “Muitos deles acham que vão estragar o celular ou apagar algo importante. Por isso, começamos pelas configurações do telefone e, depois, avançamos para as redes sociais.

É preciso ter paciência. Eles viveram em uma época em que a telefonia era com fio, então aprender a usar o celular dessa forma já é um avanço”, diz Deize. Além de aprender a mexer no aparelho, os participantes recebem orientações para reconhecer possíveis golpes.

Entre os cuidados estão evitar links suspeitos e desconfiar de pedidos de transferência de dinheiro, mesmo quando parecem ter sido enviados por conhecidos. “O objetivo é incluir digitalmente as pessoas com 60 anos ou mais, para que tenham autonomia para realizar suas atividades e, ao mesmo tempo, estejam mais protegidas contra golpes”, afirma a instrutora.

'Não preciso ter medo', diz aposentada Aos 70 anos, a aposentada Maria da Solidade Silva procurou a oficina porque quer usar os aplicativos do celular sem precisar recorrer aos filhos e netos sempre que tem alguma dúvida. Ela quer aprender a acessar redes sociais, entrar nos aplicativos e fazer transferências pelo Pix com mais segurança e independência. “Quero dar conta de entrar nos aplicativos, fazer meus Pix, acessar as redes sociais sem ter que pedir ajuda aos netos e aos filhos.

O que já aprendi aqui foi ótimo. Tem coisas que eu não sabia como acessar e agora vi que não preciso ter medo”, conta. Para a subsecretária de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, Larissa Paraguassu, aprender a usar a tecnologia também é uma forma de garantir mais autonomia no dia a dia.

Ela destaca que não basta ter acesso à internet e ao celular. É importante que as pessoas idosas saibam utilizar os recursos disponíveis, participar da vida social e identificar tentativas de fraude. O aprendizado, segundo Larissa, também ajuda a prevenir golpes financeiros e outras formas de violência patrimonial e digital contra essa população.

Como participar da oficina Idosos recebem certificado de conclusão da oficina de inclusão digital Paula Maciulevicius/SEC A oficina é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, em parceria com o Projeto 60+ do Sesi. A Secretaria Municipal de Assistência Social de Campo Grande também apoia a organização das atividades.

A proposta é ampliar o acesso das pessoas idosas ao conhecimento digital, começando pela capital e com a intenção de alcançar as sete regiões urbanas de Campo Grande. A iniciativa também prevê, posteriormente, atividades em outros municípios de Mato Grosso do Sul. A próxima oficina está prevista para 27 de outubro, às 14h, em frente à Unidade de Saúde da Família (USF) Aero Itália, na Rua Rio Galheiros, 280, no Jardim Itália, região do Jardim Aeroporto, em Campo Grande.

Público: pessoas com 60 anos ou mais. Inscrições e informações: (67) 99967-5170. Atividade: gratuita.

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