Como é a área onde pesquisadores estudam terras raras em Roraima Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade de São Paulo (USP) que estudam a ocorrência de terras raras no Sul de Roraima participam, nesta quinta-feira (18), de um evento sobre os minerais e as tecnologias usadas para analisá-los. A programação ocorre na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), em Boa Vista, e reúne especialistas em Química, Geologia, Geociências, Geoquímica e Ciência do Solo.

O encontro terá palestras sobre nanotecnologia, análise de minerais por técnicas de raio-X e prospecção de áreas com potencial para terras raras. Um dos temas será a exploração de depósitos por adsorção iônica, tipo de formação em que os elementos ficam presos às partículas de argila do solo.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp As atividades começam às 8h, com abertura feita pelo empresário Lucergio Barreira, proprietário e pesquisador do Complexo Barreira, área onde foram identificadas as terras raras, localizada em Caracaraí, no Sul de Roraima, onde os estudos da UFRR e USP são realizados. Às 9h10, o professor titular da USP Henrique Eisi Toma apresenta a palestra "A nanotecnologia das terras raras".

Toma integra a equipe que analisa cerca de 100 amostras de argila coletadas na região. O estudo da USP começou em janeiro de 2026 e busca identificar quais elementos de terras raras estão presentes nas amostras, medir a concentração deles e desenvolver formas de separá-los. Nas áreas analisadas até agora, as concentrações variam de aproximadamente 0,3% a 0,6%, segundo os pesquisadores.

Os índices citados para depósitos desse tipo costumam ficar entre 0,01% e 0,3%. LEIA TAMBÉM: Argilas brilhantes e rochas antigas: como é a área onde pesquisadores estudam terras raras Pesquisadores da USP analisam cerca de 100 amostras de argila em área com terras raras Pesquisadores identificam alta concentração de terras raras em Roraima e estudam existência de jazida O que são terras raras?

Entenda em 10 perguntas e respostas Tecnologia para separar os minerais Depois da etapa de análise química, os pesquisadores da USP pretendem aplicar uma tecnologia desenvolvida pela universidade para a separação das terras raras. A técnica utiliza nanopartículas projetadas para reconhecer os elementos, permitindo extraí-los e separá-los. O tema será apresentado por Toma durante o evento.

🔎 As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos e equipamentos de alta tecnologia, como baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, elas não são necessariamente escassas. Um dos principais desafios é separar os elementos, que possuem propriedades químicas semelhantes.

Pesquisas sobre terras raras em Roraima As amostras analisadas pela USP foram coletadas na mesma região onde pesquisadores da UFRR identificaram, em estudos anteriores, concentrações consideradas anômalas de terras raras. Pesquisadores da UFRR encontraram rochas e argilas com alta concentração de terras raras no Complexo Barreira em 2025. Entre os elementos identificados estava o ítrio, que apresentou concentração de 296 partes por milhão (ppm), considerada acima do normal pelos pesquisadores.

Na época, os pesquisadores explicaram que ainda era necessário verificar se as concentrações se mantinham ao longo da área e em diferentes profundidades para determinar o tamanho e o potencial econômico da ocorrência. A área pesquisada tem mais de 120 mil hectares e fica entre as serras do Baraúna e do Anauá. No local, foram abertas mais de 50 trincheiras em diferentes pontos, e terras raras foram identificadas em todas as áreas analisadas, inclusive em profundidades de até 15 metros.

A pesquisa ainda está em fase de análise e prospecção — etapa me que pesquisadores investigam a concentração, a distribuição e a profundidade das terras raras para avaliar a extensão e o potencial econômico da ocorrência. Os estudos também buscam determinar se há quantidade e concentração suficientes dos minerais para caracterizar uma jazida com potencial de exploração econômica. Programação Evento: 1º Fórum de Elementos Terras Raras, Minerais Estratégicos e Críticos em Roraima.

Na Ale-RR, localizada na praça do Centro Cívico, 202, Centro. 8h – abertura, com Lucergio Barreira, pesquisador e proprietário do Complexo Barreira. 9h10 – palestra com Henrique Eisi Toma, professor titular da USP.

Tema: "A nanotecnologia das terras raras" 10h – Perguntas e respostas 10h20 – coffee break 10h50 – palestra com Kalil Cristhian Figueiredo Toledo, professor doutor em Química. Tema: "Desvendando os minerais por técnicas de raio-X" 11h30 – Perguntas e respostas 11h50 – Almoço 14h – palestra com Nilson Francisquini Botelho, professor doutor em Geologia.

Tema: "Desafios na prospecção e exploração de depósitos de terras raras do tipo adsorção iônica: exemplos brasileiros" 14h40 – Perguntas e respostas 15h – Mesa-redonda. Participam: Lucergio Barreira; Henrique Eisi Toma; Kalil Cristhian Figueiredo Toledo; Nilson Francisquini Botelho; José Frutuoso do Vale Júnior, doutor em Ciência do Solo; Vladimir de Souza, doutor em Geociências; Carlos Eduardo Lucas Vieira, doutor em Geociências; Lorena Malta Feitoza, doutoranda em Geoquímica. 16h – Encerramento.

Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. Yara Ramalho/g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.