Marcas do Feminicídio: Família de Ionara Nazaré alerta para perigoso do ciclo da violência O ex-tenente da reserva remunerada da Polícia Militar do Acre (PM-AC) Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, foi condenado a mais de 40 anos de prisão por matar Ionara da Silva Nazaré, de 29, na frente da filha delas em setembro do ano passado, em Rio Branco.
👉 Contexto: O crime aconteceu em 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães, e, segundo a acusação, Ionara foi atingida por quatro tiros na frente das duas filhas, que tinham 3 e 7 anos na época. A criança mais velha relatou à polícia que ouviu os disparos e encontrou a mãe caída no chão, já sem vida. O homem fugiu logo após o crime, deixando elas sozinhas na casa, e foi preso dois dias depois.
A arma que ele tinha porte, de propriedade da PM, também foi apreendida. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Reginaldo foi julgado nesta quinta-feira (17) pelo Tribunal do Júri, em Rio Branco. A sessão foi conduzida pelo juiz Fábio Alexandre Costa de Farias na 1ª Vara Criminal do Fórum Criminal.
A família de Ionara acompanhou o julgamento. "Eu, como irmã, não acho que a justiça seja justa pelo fato de saber que ele não responde a tudo preso. Mas, fiquei muito aliviada de saber que responde por feminicídio, que foram levadas em conta as agravantes e que a gente conseguiu a pena máxima.
Não é fácil conviver com luto da minha irmã e, saber que ele foi jugado, alivia muito meu coração. Nem se ele passasse os 40 anos preso apagaria a dor de não ter minhã irmã", descreveu uma das irmãs de Ionara, que pediu para não ser divulgado. Conforme a sentença, o PM pegou 40 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão em regime inicial fechado e não pode recorrer em liberdade.
O g1 não conseguiu contato com a defesa do militar até a última atualização desta matéria. Reginaldo de Freitas Rodrigues é julgado nesta quinta-feira (17) Arquivo pessoal A Justiça determinou ainda ao pagamento de R$ 300 mil para as filhas da vítima por danos morais e a perda do cargo público do militar. Ionara foi assassinada no dia 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães.
Segundo a acusação, ela foi atingida por quatro tiros na frente das duas filhas, que tinham 3 e 7 anos na época. O acusado fugiu após o crime e foi preso dois dias depois. 🚨 Reginaldo responde por feminicídio com duas qualificadoras: motivo torpe e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
O Ministério Público do Acre (MP-AC) também apontou como agravante o fato de o crime ter ocorrido na presença das filhas de Ionara. Ionara da Silva Nazaré, de 29 anos, 9ª vítima de feminicídio em 2025 Renato Menezes/Arte g1 'Ela se sentia presa', diz irmã em depoimento Durante o julgamento na manhã desta quinta, outra irmã da vítima afirmou que Ionara se sentia presa no relacionamento.
Segundo ela, Reginaldo justificava que dava tudo para a companheira, mas essa postura também era usada para exercer controle sobre a vida dela. Ela contou que, antes do relacionamento, a família materna ajudava nos cuidados com as crianças. Depois, Ionara passou a dizer que sentia falta até de sair de casa para realizar tarefas simples.
“Ela falava assim: ‘eu tenho vontade de deixar meus filhos na escola, eu tenho saudades de ir no mercado, porque ele faz tudo isso. Ele faz questão de ir, ele quer ir toda vez, como se não quisesse que eu saísse na rua’. É como se ela tivesse medo dele”, destacou.
Reginaldo de Freitas Rodrigues foi condenado por feminicídio Arquivo pessoal Mãe relata trauma das crianças A mãe de Ionara, Audilene da Silva, também foi ouvida pelo júri e relatou o impacto do assassinato sobre as duas netas. Segundo ela, a filha mais nova, que tinha três anos quando presenciou o crime, ainda repete diariamente o que aconteceu. Segundo Audilene, as crianças também passaram a enfrentar dificuldades financeiras após a morte da mãe.
Ela afirmou que, quando as meninas adoecem, sente vergonha de pedir ajuda para comprar medicamentos e que a família enfrenta dificuldades até para garantir a alimentação delas. "Quando ela ouviu os tiros, a pequenininha estava no sofá e viu na hora que ele assassinou a minha filha. Ela conta que ela tinha três aninhos quando a mãe dela morreu.
Ela conta a forma, ela não esquece, todo dia conta a mesma coisa. Tem sido tão difícil conviver com essas duas crianças. Ela fica assombrada.
Eu digo: 'filha, ele não vai vir aqui'", falou. O julgamento segue nesta quinta-feira (17), com depoimentos de testemunhas e familiares. Depois dessa etapa, acusação e defesa fazem os debates diante dos jurados, que decidem sobre a responsabilidade do réu.
Acusação Reginaldo foi pronunciado a júri popular pela Justiça do Acre em março deste ano. Na decisão, o juiz Fábio Alexandre Costa de Farias entendeu que o assassinato ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar. Segundo a decisão de pronúncia, o assassinato ocorreu durante uma discussão do casal relacionada a dinheiro e aos valores pagos por Reginaldo como pensão alimentícia a um filho de outro relacionamento.
A arma utilizada no crime, que era de propriedade da Polícia Militar e estava sob a posse do acusado, foi apreendida. Reginaldo foi preso dois dias após o assassinato. Conforme o processo, o indiciamento de Reginaldo foi emitido em 8 de outubro do ano passado, pelo Ministério Público do Acre (MP-AC).
No relatório final, a Polícia Civil também pediu que a Justiça mantivesse a prisão preventiva do militar. Mesmo após se entregar, o ex-tenente da reserva da PM optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Ele foi levado à Deam, onde teve sua arma usada no assassinato, de propriedade da PM, apreendida e enviada para perícia balística.
A DPE chegou a pedir a revogação da prisão do ex-tenente da PM, entretanto, a Justiça negou o pedido da defesa sob argumento de que seguem presentes a gravidade do crime, o modo como foi cometido e o risco de reiteração, e que o pedido não apresentou nenhum fato novo que modificasse o cenário do caso. Ionara morreu antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O inquérito indiciou o militar por feminicídio com base no artigo 121 do Código Penal, combinado com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). À época, o g1 apurou que Reginaldo se aposentou como 2º tenente em fevereiro de 2018 em razão de ter completado mais de 30 anos de serviço. Já em 2022, foi reconvocado para atuar na área administrativa do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar (PM-AC), pela Reserva Remunerada.
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