Jovens transformam roupas descartadas em moda sustentável e identidade em Campinas Uma iniciativa no Jardim Monte Cristo, em Campinas (SP), aposta na moda sustentável para reduzir o descarte de resíduos têxteis e criar oportunidades de formação e geração de renda para moradores da periferia. A OMG Cultural criou um ateliê-escola de upcycling, técnica que consiste em reaproveitar materiais e produtos que seriam descartados para transformá-los em novas peças.

O projeto utiliza cerca de 200 roupas usadas para capacitar 30 jovens em costura, modelagem e customização. Com isso, o coletivo busca incentivar a economia circular, aliando conscientização ambiental, formação profissional e valorização da cultura local. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Iniciativa da OMG Cultural apota na moda sustentável para reduzir o descarte de resíduos têxteis e criar oportunidades para moradores da periferia de Campinas (SP).

Bárbara Camilotti/g1 ➡ A iniciativa está entre os projetos selecionados pelo edital da pesquisa Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas (Jucamp), criada pelas organizações Em Movimento e Minha Campinas, com apoio da Fundação FEAC. O edital forneceu financiamento e apoio técnico para desenvolver ações lideradas por jovens em territórios periféricos da cidade. A pesquisa apontou que os efeitos das mudanças climáticas são uma preocupação constante para a população jovem da cidade.

Segundo o levantamento, 58% dos entrevistados afirmaram que a crise climática afeta suas expectativas para o futuro, enquanto sete em cada dez relataram impactos na saúde mental. Criação e identidade Modelos fazem testes de cabelo e maquiagem antes do desfile de iniciativa da OMG Cultural, em Campinas (SP). Bárbara Camilotti/g1 Campinas Entre os participantes está Kamilly Ribeiro, de 17 anos.

Moradora da região do Oziel, ela conta que o interesse pela moda surgiu ainda na infância, quando a família recorria a brechós por questões financeiras. "Sempre tinha que estar estilizando uma peça ou outra para deixar do meu gosto", relatou a jovem. Segundo Kamilly, a experiência com o reaproveitamento de roupas a inspirou a criar uma coleção desenvolvida no curso.

O material usado é principalmente jeans, escolhido pela durabilidade e pelo impacto ambiental. "O tecido jeans é um dos tecidos que mais demoram para se decompor. E, como já tinha as peças, por que não reaproveitar?

Eu acho muito importante, porque quando a gente fala que vai jogar uma peça fora, não existe esse jogar a peça fora. Acaba parando em aterros, nos próprios córregos da quebrada", afirmou Kamilly. As peças criadas pela jovem têm inspiração nas cores e na estética da própria OMG Cultural, e foram apresentadas em um desfile aberto ao público.

Para Kamilly, a moda também pode ajudar a combater estereótipos sobre quem vive nas periferias. "Só quem mora na comunidade sabe como é que é. A gente tem o nosso estilo próprio.

Para acabar com esses pensamentos, é só conhecer a cultura, vir nos espaços culturais que tem nas quebradas. A gente está mostrando isso, quebrando um pouco esse olhar das pessoas sobre a gente", disse. Impactos climáticos para os jovens de periferias A preocupação com as mudanças climáticas apareceu de forma expressiva na pesquisa que serviu de base para o desenvolvimento dos projetos financiados pela Jucamp.

O levantamento mostrou que 77% dos jovens concordam totalmente que a população vive uma crise climática. Além disso, seis em cada dez entrevistados disseram perceber reflexos do problema nos estudos ou no trabalho, enquanto 34% relataram dificuldades para se deslocar em dias de chuva. Os resultados também indicaram que os participantes demonstram interesse por ações práticas voltadas à melhoria dos territórios onde vivem, como monitoramento ambiental, iniciativas comunitárias e projetos de transformação local.

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