Pascoal da Conceição recorda Dr. Abobrinha e celebra 100 anos de Macunaíma em Sorocaba “Este castelo será meu!” A gargalhada estridente e os planos mirabolantes para derrubar o Castelo Rá-Tim-Bum e construir um prédio de dez andares marcaram a infância de gerações. Mais de três décadas após a estreia do clássico programa infantil, o ator paulistano Pascoal Ferreira da Conceição, de 72 anos, continua colhendo o carinho do público pelo eterno vilão Dr.
Abobrinha, sem jamais parar de se reinventar nos palcos e na literatura. Embora esteja de volta a Sorocaba (SP) para ministrar uma oficina cultural, a relação de Pascoal com a cidade começou no início dos anos 1970. Ator profissional desde 1984, na época ele ainda fazia parte do Grupo Soma, no teatro amador, e viajou de ônibus com os colegas para assistir à peça A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, em um festival local.
📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Ao g1, o ator compartilhou que, na época, seu grupo estava montando um espetáculo e tudo o que se referia ao Teatro do Absurdo, gênero do qual a peça fazia parte, despertava o interesse de todos. "Não me recordo de muita coisa além do fato de que, depois de assistir ao espetáculo, passamos a noite na estação à espera do ônibus para voltar a São Paulo no dia seguinte", relembra o ator.
A conexão que o teatro e a cultura têm em sua vida não é por acaso: o que o trouxe a Sorocaba pela primeira vez foi justamente a arte cênica. Agora, anos depois, o ator e intérprete oficial de Mário de Andrade retorna ao município com uma oficina para difundir a história dos 100 anos do romance Macunaíma. “Quem me trouxe a Sorocaba pela primeira vez foi o teatro, isso me fez lembrar desse fato tão antigo na minha memória e, de certa maneira, trazer mais sentido a esta viagem agora.
Tantos anos depois, como, por exemplo, um reencontro com aquele jovem que eu era e que atravessava cidades para ver uma peça”, relembra Pascoal. Pascoal da Conceição recorda Dr.
Abobrinha e celebra 100 anos de Macunaíma, romance de Mário de Andrade em Sorocaba Arquivo Pessoal e Divulgação LEIA TAMBÉM Autora de Sorocaba funda editora para publicar mulheres e outros escritores e vai à Bienal de SP Músico de Itu ganha bolsa de doutorado em universidade de 900 anos que teve Copérnico como aluno Os 'Abobrinhas' da vida real e o fogo sob as cinzas Ao olhar para o crescimento das cidades brasileiras hoje, o intérprete enxerga uma provocativa semelhança entre a ficção e a realidade.
"Existem muitos ‘Abobrinhas' por aí querendo derrubar o Castelo porque não conseguem enxergar valor naquilo que não dá lucro imediato. Ele é uma capitalista raiz, para quem a fantasia, a memória e a imaginação ocupam um terreno que pode ser transformado em dinheiro", reflete. Apesar da dureza do cotidiano, Pascoal acredita no poder de respiro da arte.
Para ele, embora a capacidade de sonhar como criança tenha sido reduzida, ela não desapareceu; continua latente, com cinzas por cima e fogo por baixo. A função da arte é justamente soprar as cinzas de vez em quando para o fogo aparecer novamente. O programa Castelo Rá-Tim-Bum, no qual Pascoal estrelou com grande sucesso, defendia a imaginação e a preservação do lúdico.
O ator afirmou que o trabalho dos artistas é justamente preservar as forças que nos fazem querer viver, confirmando a existência de energias que permanecem dentro de nós, sobreviventes dos massacres e violências a que somos submetidos. Pascoal gosta de observar a natureza e os animais, reparando como os bichos e as plantas têm uma vontade de viver que supera o raciocínio mais perverso e pessimista. "Aqui em casa brotou uma árvore no cimento, acho que foi uma semente trazida pelo cocô dos passarinhos.
Olha que coisa: do cocô na fresta do cimento nasce uma árvore. No teatro a gente diz 'Merda' quando vamos começar os trabalhos", detalha. Pascoal da Conceição recorda Dr.
Abobrinha e celebra 100 anos de Macunaíma, romance de Mário de Andrade em Sorocaba Arquivo Pessoal Coincidências e simbiose mística com Mário de Andrade Aclamado como o intérprete oficial de Mário de Andrade, Pascoal conta que o contato com o autor de Macunaíma começou para valer em 1989, ao ser convidado para declamar um poema do modernista no aniversário da cidade de São Paulo. A conexão com o escritor continuou a se estreitar após essa apresentação.
Em uma manhã de janeiro de 1993, o porteiro do prédio em que morava brincou com Pascoal dizendo que havia uma fotografia dele no jornal. O ator se deparou com uma reprodução de uma nota de 500 mil cruzeiros que homenageava Mário de Andrade. O funcionário observou a semelhança física entre ambos, e Pascoal se deu conta de que realmente era parecido com o modernista.
Nota de 500 mil cruzeiros e Pascoal Ferreira da Conceição Divulgação e Arquivo Pessoal Nesse período, o ator paulistano foi descobrindo diversas coincidências entre sua vida e a do autor. “Somos filhos da união de um pai negro com uma mãe branca, daí talvez a nossa semelhança, e nascemos no mesmo dia: 9 de novembro, Mário em 1893 e eu em 1953”, afirma.
Como intérprete do escritor, Pascoal destaca que a obra Macunaíma completa 100 anos e, em sua visão, a figura do “herói sem nenhum caráter” se entrelaça diretamente com a realidade do Brasil. O ator afirmou que não está fácil compreender o Brasil e o mundo neste momento e que, talvez, seja justamente aí que Macunaíma continue tão atual.
O personagem está em permanente transformação: nele se misturam o indígena, o negro, o branco, o popular, o urbano, o rural, o ancestral e o moderno, sem que nada esteja completamente resolvido. Oficina gratuita no SESI Sorocaba Toda essa bagagem acumulada em mais de cinco décadas de carreira desembarca na cidade com a oficina "100 Anos de Macunaíma", que Pascoal ministra no Teatro do Centro Cultural SESI de Sorocaba nos dias 9 e 10 de setembro, das 19h às 21h.
O encontro é aberto ao público geral acima de 14 anos e não exige qualquer experiência prévia com atuação. "Ninguém precisa querer ser ator para fazer teatro. O teatro trabalha com coisas que todos nós usamos diariamente: o corpo, a voz, a escuta, a imaginação e a capacidade de olhar para o outro.
Quem nunca fez teatro não precisa se preocupar em 'saber representar', aliás, talvez seja melhor nem saber", convida. Os ingressos gratuitos podem ser reservados diretamente pelo site oficial do SESI Sorocaba. Pascoal da Conceição recorda Dr.
Abobrinha e celebra 100 anos de Macunaíma, romance de Mário de Andrade em Sorocaba Arquivo Pessoal e Divulgação Dr. Abobrinha: Pascoal da Conceição celebra os 100 anos de Macunaíma em Sorocaba *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
