GCM é preso por atirar em motociclista Um guarda civil metropolitano de São Paulo foi preso em flagrante por tentativa de homicídio após atirar em um motoboy de 22 anos durante uma discussão de trânsito na Zona Norte da capital. Um vídeo gravado pela própria vítima registra os momentos após o tiro. “Você atirou em mim.

É capaz que eu nunca mais ande”, diz o motociclista. “Agora já era, já foi”, responde o GCM. O caso aconteceu por volta do meio-dia de segunda-feira (21), no cruzamento das ruas Relíquia e Reims, no Jardim das Laranjeiras, região da Casa Verde.

Segundo o Bom Dia SP, o guarda estava de folga, enquanto o motociclista fazia entregas. A vítima foi atingida na perna, passou por cirurgia e permanecia internada nesta terça-feira (22). O GCM Uildson Carmo de Moraes, de 51 anos, afirmou à polícia que estava indo para o trabalho e acreditou que poderia ser vítima de um roubo.

Segundo seu depoimento, o motociclista passou a segui-lo, fez movimentos em zigue-zague, teria proferido ameaças e levado a mão à cintura, o que o fez temer que ele estivesse armado. O guarda alegou ter atirado em legítima defesa. O motociclista Jonathan da Silva Giliet, porém, apresentou outra versão.

Ele afirmou que o motorista quase bateu em sua moto em um cruzamento e que a discussão começou por causa da manobra. Segundo Jonathan, o GCM apontou a arma em sua direção e perguntou “Vai vir atrás?”. Quando ele acelerou para se afastar, o guarda disparou e o atingiu na perna.

Vídeo foi considerado pela polícia GCM atira em motociclista TV Globo O vídeo gravado pela vítima passou a integrar os elementos analisados pela Polícia Civil. No boletim de ocorrência, a delegada responsável pelo flagrante afirma que o registro audiovisual mostra que o GCM parou o carro ao lado da motocicleta e efetuou o disparo quando a vítima já estava em movimento. Após ser baleado, Jonathan continuou gravando.

Em um trecho exibido pelo Bom Dia SP, é possível ouvi-lo questionando o guarda sobre o tiro. Na sequência, o GCM responde: “Agora já era, já foi.” A Polícia Civil registrou que as versões dos dois envolvidos são diferentes, mas apontou que ambas indicam que o episódio teve origem em uma discussão de trânsito. Segundo a decisão do flagrante, não havia, até aquele momento, elementos que demonstrassem uma agressão física ou uma ameaça concreta capaz de justificar o uso da arma.

A delegada também considerou que a alegação de legítima defesa apresentada pelo guarda não estava demonstrada de forma inequívoca. Para a autoridade policial, era necessário comprovar que ele efetivamente acreditava estar diante de uma agressão injusta e iminente e que a reação empregada era necessária e proporcional.

Embora o projétil tenha atingido a perna do motociclista, a Polícia Civil considerou que disparar uma arma de fogo contra uma pessoa que conduzia uma moto em movimento representava um meio potencialmente letal. O GCM foi então preso em flagrante e indiciado por tentativa de homicídio com dolo eventual. A pistola Glock calibre 9 mm usada no episódio, que segundo o BO pertencia ao próprio guarda, foi apreendida com um carregador e 19 cartuchos íntegros e encaminhada para perícia.

A Corregedoria da GCM acompanhou a ocorrência. Motociclista diz que discussão começou após fechada Jonathan apresentou outra versão à polícia. Segundo ele, o motorista quase bateu em sua moto ao não respeitar a preferência em um cruzamento.

O motociclista afirmou que seguiu o carro e, quando os dois ficaram lado a lado, o motorista abriu a janela e apontou uma arma em sua direção. Ainda segundo o relato da vítima, o guarda teria perguntado "Vai vir atrás?". Jonathan disse que acelerou a moto para se afastar e, nesse momento, foi atingido na perna esquerda.

Depois do disparo, ainda conseguiu percorrer alguns metros com a motocicleta antes de cair. A Polícia Civil afirma no boletim que há "versões antagônicas" sobre a dinâmica do caso e que, naquele momento da investigação, a alegação de legítima defesa apresentada pelo GCM não estava demonstrada de maneira inequívoca. GCM já havia sido denunciado por subordinada Uildson Carmo de Moraes já havia sido denunciado à Polícia Civil por uma guarda-civil municipal que trabalhava sob sua supervisão.

A agente Bianca Macedo Borges procurou a polícia após relatar ter sido ameaçada e humilhada por ele enquanto trabalhava na região da Feira da Madrugada, no Brás, no Centro de São Paulo. Segundo o relato feito pela agente à polícia, Uildson, que era seu superior direto, teria chamado Bianca de “idiota”, feito ameaças de punição e ameaçado agredi-la fisicamente na presença de outros guardas municipais. Os colegas foram indicados como testemunhas.

Bianca afirmou ainda que não teria sido um episódio isolado. Segundo ela, o supervisor a humilhava e ameaçava reiteradamente diante de outros integrantes da corporação, inclusive com agressões verbais relacionadas ao fato de ela ser mulher. Após a denúncia, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou que o comando da GCM determinou a remoção imediata de Uildson da unidade onde estava lotado, para permitir a apuração dos fatos e preservar o ambiente de trabalho.

A Corregedoria da corporação também passou a acompanhar o caso. Na ocasião, a prefeitura afirmou que não tolerava condutas incompatíveis com os princípios da administração pública e que seriam adotadas as medidas administrativas cabíveis. O caso passou a ser investigado pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do Centro.