Mais de 1,3 mil pessoas com deficiência trabalham com carteira assinada em JF O que para muitos poderia significar o fim de uma carreira virou o recomeço para Tadeu Oliveira. Motorista de ônibus em Juiz de Fora, ele teve uma das pernas amputadas após um grave acidente de moto. Tempos depois, superou a reabilitação e voltou ao trabalho.
Desde 2024, Tadeu é motorista da linha 525 (UFJF/Centro), mas a caminho até conseguir sentar novamente no banco do motorista exigiu paciência e determinação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp "Eu achei que não ia voltar a trabalhar mais porque muitas pessoas falaram que eu ia ter que encostar por invalidez, mas eu não optei por isso e fiquei muito satisfeito de voltar a travalhar", destacou o motorista.
O desafio da habilitação e da adaptação Além de se adaptar ao uso da prótese, Tadeu precisou tirar uma nova Carteira Nacional de Habilitação (CNH) adequada às suas condições físicas. Para a realização do exame prático, ele precisou viajar até São Paulo para fazer a prova e garantir o documento, uma vez que o serviço não era oferecido em Juiz de Fora.
Tadeu Oliveira, motorista de ônibus em Juiz de Fora Reprodução/TV Integração "Lá tinha um ônibus adaptado aí eu transferi a minha carteira para São Paulo, fiz o exame médico, teórico e de rua, e foi onde eu passei e retornei para Juiz de Fora", contou. Com a habilitação em mãos, o veículo de trabalho também passou por modificações técnicas nos comandos para que ele pudesse dirigir com segurança. "O ônibus tem dois aceleradores, no lado direito e no lado esquerdo.
O lado direito é para o motorista trabalhar normal ai quando ele sai da jornada eu aperto o botão para inverter o acelerador e eu acelero e freio com a perna esquerda", explicou o trabalhador. Tadeu Oliveira, motorista de ônibus em Juiz de Fora Consórcio Via JF/Divulgação Inclusão e a Lei de Cotas em Juiz de Fora A trajetória de Tadeu reflete uma realidade amparada por legislação, mas que ainda enfrenta desafios de acessibilidade no dia a dia.
Segundo dados do Ministério do Trabalho de junho de 2026, 1.337 Pessoas com Deficiência (PCDs) ou reabilitadas pelo INSS estão empregadas em Juiz de Fora. A inclusão no mercado é garantida pela Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que determin empresas com 100 ou mais funcionários a preencherem de 2% a 5% dos seus cargos com esse público.
Como funciona a cota por tamanho de empresa: De 100 a 200 empregados: 2% das vagas De 201 a 500 empregados: 3% das vagas De 501 a 1.000 empregados: 4% das vagas Acima de 1.000 empregados: 5% das vagas O descumprimento da legislação ou a falta de acessibilidade adequada podem gerar sanções e multas às empresas.
Segundo especialistas trabalhistas, a legislação vai além do simples preenchimento de vagas: as empresas têm o dever de eliminar barreiras físicas e atitudinais, garantindo ambiente inclusivo, adaptado e livre de discriminação. "Não é a pessoa com deficiência que tem que se adaptar ao ambiente de trabalho, é o ambiente que tem que se adaptar para aquela deficiência. [...] Não fornecer um ambiente acessível é considerado discriminação", ressaltou a auditora fiscal do Ministério do Trabalho, Patrícia Siqueira.
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