Máfia dos Celulares: criminosos movimentaram quase meio bilhão de reais, segundo MP Mais de 830 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em um ano, uma média de um aparelho levado a cada 38 segundos. Na maior cidade do país, apenas 6% dos telefones são recuperados.
Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelas polícias Civil e Militar de São Paulo buscou responder à pergunta que costuma atormentar as vítimas: para onde vão os aparelhos que desaparecem após o crime? A apuração identificou uma estrutura organizada que atuava em várias etapas, desde a receptação dos celulares até a adulteração dos aparelhos e a revenda ao consumidor final.
Segundo o Ministério Público, a organização movimentou quase R$ 460 milhões em cinco anos. A investigação aponta que o roubo e o furto representam apenas a primeira fase de uma cadeia logística e econômica sustentada pela receptação e comercialização dos celulares. Testemunhas ouvidas pelos investigadores relataram que muitos aparelhos já tinham destino definido antes mesmo de serem levados das vítimas.
Máfia dos celulares: operação revela esquema por trás do roubo de aparelhos no Brasil Entreposto da receptação De acordo com os investigadores, a Rua Guaianases, na região central de São Paulo, funcionava como um dos principais pontos de recepção dos aparelhos roubados. Foi nesse local que os celulares passavam a ser concentrados logo após os crimes. Promotores afirmam que era nessa etapa que começavam as tentativas de acesso a aplicativos bancários e outras informações armazenadas nos aparelhos das vítimas.
Diversos boletins de ocorrência e registros de geolocalização analisados ao longo da investigação apontavam o mesmo endereço como última localização conhecida dos celulares.
‘Ninho do celular roubado’: aparelhos levados em assaltos do tipo quebra‑vidro convergem para prédio no centro de SP Rua Guaianases, no centro da capital paulista, local apontado pelo Ministério Público como um dos principais pontos de recebimento dos celulares roubados Reprodução/TV Globo Da rua para os laboratórios Após a receptação, os aparelhos eram encaminhados para núcleos especializados.
Segundo o Ministério Público, esses grupos utilizavam ferramentas técnicas para alterar o IMEI, número único que identifica cada celular. A adulteração permitia que celulares roubados passassem a aparentar situação regular. De acordo com os investigadores, os criminosos substituíam o IMEI de aparelhos com restrições por identificações de telefones inativos, dificultando a detecção da fraude.
'Gangue do quebra-vidro': como age quadrilha que aterroriza motoristas em SP Retorno ao mercado Com os aparelhos adulterados ou desmontados para venda de peças, começava a fase final da engrenagem: a comercialização. O objetivo era fazer com que o produto retornasse ao mercado aparentando origem legal. Segundo o Ministério Público, o esquema também utilizava notas fiscais fraudulentas para dar aparência de legalidade aos celulares.
Durante a investigação, interceptações obtidas pelos promotores mostraram conversas sobre a emissão desses documentos com informações específicas dos aparelhos. Operação e apreensões Na operação realizada neste mês, 15 suspeitos foram presos. Cerca de 10 mil itens, entre celulares, peças e acessórios, foram apreendidos.
O material foi reunido em um prédio da Polícia Civil, enquanto peritos estimaram que o conjunto recolhido pesava aproximadamente 60 toneladas. Os investigadores afirmam que o objetivo agora é identificar vítimas, responsabilizar os envolvidos e tentar devolver os aparelhos recuperados aos proprietários. Adulteração do IMEI Após a receptação, os celulares seguiam para núcleos especializados responsáveis por modificar o IMEI, número de identificação único de cada aparelho.
Segundo o Ministério Público, esse processo exigia conhecimento técnico e uso de ferramentas específicas. Os investigadores afirmam que os criminosos exploravam uma falha na integração de informações entre fabricantes, operadoras, lojas e órgãos públicos. O esquema consistia em substituir o IMEI de aparelhos roubados pelos números de celulares inativos, dificultando a identificação da fraude pelos sistemas de controle.
Essa etapa era executada por integrantes conhecidos como "icloudeiros". Um dos suspeitos apontados como responsável por esse trabalho foi preso durante a operação.
Após a receptação, os celulares seguiam para núcleos especializados responsáveis por modificar o IMEI Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação.
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