Projeto Dune: túnel onde argônio líquido puríssimo será despejado para ação dos neutrinos e caverna de 150 metros de altura e comprimento que integra o megaprojeto. Fermilab/Divulgação | Ryan Postel/Fermilab As partículas que renderam o Nobel de Física de 2026 ao cientista belga Francis Halzen também estão no centro de um dos maiores experimentos científicos em desenvolvimento no planeta, que conta com participação da Unicamp e de pesquisadores brasileiros.

⚛ Batizado de Dune (Deep Underground Neutrino Experiment), o projeto busca responder questões fundamentais da física, como a origem da matéria e os processos que moldaram o Universo após o Big Bang. Com investimento estimado em US$ 3,7 bilhões e a participação de cerca de 1,4 mil cientistas de 37 países, o Dune tem previsão de iniciar suas operações na próxima década e é apontado por especialistas como um dos projetos mais ambiciosos da ciência contemporânea. 🏆 O anúncio do Nobel foi feito nesta terça-feira (6).

Halzen foi premiado por contribuições decisivas ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica, abrindo caminho para uma nova forma de observar o cosmos. Nobel de Física volta a ter um único vencedor depois de 34 anos com Francis Halzen Entenda como um quilômetro cúbico de gelo na Antártida passou a captar partículas O que são os neutrinos Os neutrinos são partículas subatômicas extremamente abundantes e difíceis de detectar.

Eles não possuem carga elétrica, têm massa muito pequena e quase nunca interagem com a matéria. Trilhões atravessam continuamente a Terra e até o corpo humano sem deixar vestígios perceptíveis. Apesar dessa característica, os neutrinos carregam informações valiosas sobre fenômenos extremos do Universo.

Segundo a Academia Sueca de Ciências, o trabalho de Halzen permitiu detectar neutrinos produzidos em eventos cósmicos altamente energéticos, inaugurando uma nova área de pesquisa conhecida como astronomia de neutrinos.

O que o Dune pretende descobrir Dune: o megaprojeto internacional que tenta desvendar a origem do universo Enquanto o IceCube, na Antártida, observa neutrinos vindos do espaço, o DUNE pretende estudar essas partículas com um nível inédito de precisão usando o feixe mais intenso de neutrinos já produzido pela humanidade. O experimento está sendo construído nos Estados Unidos e ligará os estados de Illinois e Dakota do Sul.

Os neutrinos serão gerados em um acelerador de partículas e percorrerão cerca de 1.300 quilômetros subterraneamente até chegar a detectores gigantes instalados a 1,6 quilômetro de profundidade. Os cientistas esperam que as observações ajudem a responder algumas das maiores perguntas da física atual. A principal delas é: por que a matéria prevaleceu sobre a antimatéria nos instantes seguintes ao Big Bang.

A teoria indica que ambas deveriam ter surgido em quantidades iguais, mas algo rompeu esse equilíbrio e permitiu a formação das estrelas, planetas e da própria vida. Os neutrinos são considerados candidatos a explicar essa diferença. Além disso, o Dune pretende investigar fenômenos associados à formação de buracos negros e buscar evidências do chamado decaimento do próton, evento previsto por algumas teorias, mas nunca observado diretamente.

Papel da Unicamp Detector de lux X-Arapuca foi desenvolvido pela Unicamp e será utilizado no megaexperimento científico Dune Felipe Bezerra/Unicamp A Unicamp desenvolveu um método de purificação de argônio líquido ultrapuro, material que será usado nos detectores do Dune, além de liderar a criação do sistema de detecção de luz chamado X-Arapuca.

O dispositivo registra os sinais produzidos quando um neutrino interage com os átomos de argônio líquido, permitindo que os cientistas reconstruam o fenômeno e analisem o comportamento das partículas. Dune: megaprojeto internacional desvenda origem do universo Arte g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região