João Bosco faz pocket show para convidados ao receber a Medalha UBC em evento no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 1º de setembro Mauro Ferreira / g1 ♫ CRÔNICA ♬ “Garoto de 80 anos”, como caracterizou Marcelo Castello Branco, diretor executivo da União Brasileira de Compositores, ao saudar João Bosco na entrega da Medalha UBC ao artista, o mineiro já octogenário apontou para o futuro ao receber a honraria em evento para convidados na Casa UBC na noite de ontem, terça-feira, 1º de setembro, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Ao receber de Wilson Simoninha (diretor-presidente da UBC) e da filha Julia Bosco a medalha de honra pelos grandes erviços prestados à música brasileira, Bosco agradeceu e disse que a distinção era um prêmio pela estrada percorrida – ao lado de parceiros como Aldir Blanc (1946 – 2020), destacado pelo artista – e também um estímulo para continuar trabalhando como compositor.
O discurso de Bosco também abarcou a amizade, mote do álbum de duetos com que comemora os 80 anos feitos em 13 de julho, “Amigos novos e antigos”, programado para ser lançado na íntegra em 25 de setembro. “A amizade é uma forma de amor, de perdão, de diálogo, de chegar a algum lugar que somente tem sentido se a gente chegar junto”, pregou João Bosco antes de pegar o violão e desfiar alguns standards do cancioneiro com a super banda arregimentada sob a direção musical do pianista e arranjador Julinho Teixeira.
A amizade se manifestou nas presenças de cada um dos cinco artistas convidados a interpretar músicas de João Bosco em números que se afinaram pela alta qualidade, inclusive pela presença de instrumentistas do naipe do violonista Rogério Caetano e do baixista Guto Wirtti.
Mineira de Belo Horizonte (MG) residente no Rio de Janeiro, a cantora Laura de Castro abriu o roteiro coeso com interpretação ritualística do samba “De frente pro crime” (João Bosco e Aldir Blanc, 1974) em registro que tangenciou o épico e soou repleto de tensão, potencializada pela marcação da percussão de Leonardo Reis e da bateria de Herivelto Silva, sobretudo na primeira parte do número, antes de a cantora cair no suingue desse samba que espoca flash da violência urbana.
Na sequência, Pedro Luís reviveu outro samba da parceria de João Bosco com Aldir Blanc, “Kid cavaquinho”, também lançado em 1974. Como Pedro Luís contou à plateia de convidados em que estavam nomes como Zeca Pagodinho, amigo de Bosco, “Kid cavaquinho” é samba da memória afetiva de Pedro, que o ouvia no Bar do João, point da boemia carioca. Em seguida, Joyce Alane cantou “Papel machê” (João Bosco e José Carlos Capinan, 1984) e, ao fim, convidou Juliana Linhares para subir ao palco da Casa UBC.
Confirmando ser o grande nome da música brasileira em 2026, a cantora potiguar fez “O ronco da cuíca” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975) ressoar com swingueira vibrante. Juliana Linhares somente não fez o grande número da noite porque, na sequência, Badi Assad quebrou tudo ao cantar o samba “Linha de passe” (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, 1979) em número inebriante, cheio de energia e com suingue singular. Badi Assad disse a que veio.
O canto em sequência de “Nação” (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, 1982), “Incompatibilidade de gênios” (João Bosco e Aldir Blanc, 1976), “Corsário” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975) e “O bêbado e a equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc, 1979) – samba revivido com todos os convidados no palco – na voz do próprio João Bosco ratificou a maestria do compositor e despertou na plateia a torcida para que o garoto de 80 anos continue a fazer música por muito tempo ainda.
João Bosco canta músicas como 'Corsário' (1975) e 'Nação' (1982) após receber a Medalha UBC Mauro Ferreira / g1
