Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS realiza reunião para oitiva do advogado Willer Tomaz e apreciação de requerimentos. Edilson Rodrigues/Agência Senado A Justiça de São Paulo negou um pedido do advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), de devolução de R$ 163 milhões perdidos em bets.
O advogado acionou a 44ª Vara Cível de São Paulo para tentar reaver a quantia que diz ter perdido em apostas online na casa de apostas Blaze, alegando vício em jogos e falhas da plataforma. Na decisão, o juiz Guilherme Madeira Dezem diz que "o autor solicitou pessoalmente e obteve a criação de mesas privativas e exclusivas de apostas em valores exorbitantes ("Blaze VIP Blackjack"), postulando sucessivas majorações de limites operacionais para alcançar a espantosa cifra de até R$ 500.000,00 por aposta".
Na sentença, afirma: "No caso concreto, o dissabor, a angústia e o abalo emocional decorrentes da perda de vultosos valores em jogos de azar eletrônicos constituem consequências diretas e imediatas do risco intrínseco e voluntariamente assumido pelo apostador ao contratar atividade aleatória de alta volatilidade". O magistrado concedeu a ele, no entanto, o direito de não ser mais importunado por plataforma. A Polícia Federal (PF) investiga se Willer Tomaz de Sousa usou operações de apostas para lavar dinheiro.
Ao todo, em 18 meses (de janeiro de 2025 a julho de 2026), o advogado apostou R$ 6,6 bilhões e teve um prejuízo de R$ 188,5 milhões. Os dados foram informados pela defesa do advogado em um processo aberto contra a casa de apostas Blaze, que patrocina o atacante do Santos, Neymar Jr, e que tinha contrato com a influenciadora, Virgínia Fonseca. O processo foi protocolado em agosto deste ano e estava em sigilo até o começo da tarde desta terça-feira (29).
A informação foi inicialmente publicada pelo Metrópoles. O g1 teve acesso ao processo. No pedido, a defesa disse que Tomaz foi diagnosticado com o transtorno mental caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar e apostar, a ludopatia - e pediu a restituição de todos os valores enviados à Blaze.
"O autor é, portanto, pessoa diagnosticada com ludopatia por laudo de profissional de saúde mental habilitado", justificou a defesa. Em uma das respostas ao processo, a casa de apostas discordou com a denominação de prejuízo das operações usado pela defesa de Tomaz, justificando que "não é dano". "O movimento líquido da conta não é dano.
Ele é a diferença entre o que entrou e o que saiu de uma conta que funcionou, ao longo de dezoito meses, como conta corrente, com entradas e saídas sucessivas, muitas vezes no mesmo dia. Somar depósitos e chamar o resultado de prejuízo equivale a somar apenas os débitos de um extrato bancário, ignorando os créditos", justificou a casa de apostas.
Ainda de acordo com os dados informados pela defesa, no período de 18 meses, entre 2025 e 2026, Tomaz realizou 2.145 depósitos na casa de aposta, totalizando R$ 325 milhões. Com esse dinheiro, ele realizava sucessivas apostas até atingir a quantia bilionária movimentada. Esse valor, segundo a defesa, pode ser maior.
Os advogados argumentam que não conseguiram acessar os dados de jogos anteriores a 2025 e que já verificaram a existência de 55 páginas de depósitos nos registros anteriores a essa data. Ainda de acordo com a defesa, a principal causa das perdas de Tomaz foram as mesas de cassino online, que admitiam apostas de até R$ 500 mil em rodadas que duravam 30 segundos.
"A ciência existiu e está documentada em mais de uma via: o autor comunicou expressamente o diagnóstico de ludopatia aos atendentes da ré, em pelo menos duas sessões distintas de atendimento, pediu em três protocolos formais o bloqueio definitivo de sua conta e, dirigiu à ré, pelo canal do próprio gerente de contas por ela designado, notificação pré-litigiosa circunstanciada — cujo recebimento a ré confirmou formalmente, subscrevendo-se 'Blaze Team' e anunciando 'structured internal review'".
A defesa também critica a estrutura organizacional da casa de apostas, que permite o depósito de até R$ 500 mil de uma só vez, mas limita os saques a R$ 100 mil por operação. "Forçado pelo teto, o autor fracionou a retirada: 16 saques de R$ 100.000,00 — R$ 1.600.000,00 — solicitados entre 00h19 e 00h25. [...] Ao tentar sacar os R$ 100.000,00 restantes do saldo, o autor foi bloqueado pelo próprio sistema: 'Você fez muitas tentativas consecutivas.
Por favor, tente novamente mais tarde". Com isso, apenas em uma noite, o advogado aplicou R$ 1,9 milhão, restando apenas R$ 0,29 na conta, após sucessivas perdas. Área VIP Em abril de 2023, quando as casas de apostas ainda não estavam regularizadas no Brasil, a Blaze criou um grupo no Whatsapp para atendimento exclusivo ao advogado.
As mesas de cassino, principais opções de jogos dele, inicialmente tinham uma limitação bem menor para apostas do que o patamar de R$ 500 mil registrada ao final. A princípio, as apostas máximas eram limitadas a R$ 125 mil e foram aumentando de acordo com pedidos feitos por Tomaz. A defesa aponta ainda que, ao longo do período, a casa de apostas ofereceu R$ 42,2 milhões em "estímulos" a Tomaz, que eram uma espécie de bônus pela assiduidade do advogado.
Quem é Willer Tomaz Willer Tomaz é investigado pela PF no âmbito da Operação Sem Desconto, que revelou descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A fase da operação que teve Tomaz como um dos alvos investigava um esquema de lavagem de dinheiro que teria beneficiado o senador Weverton Rocha (PDT). A PF descreveu Tomaz como uma espécie de estrutura de sustentação financeira e patrimonial a Weverton, envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores.
Tomaz chegou a ser preso em 2017, suspeito de tentar interferir nas investigações da Operação Greenfield, que apurou fraudes em fundos de pensão. LEIA MAIS: Quem é Willer Tomaz, advogado investigado pela PF que viajou com Flávio em jatinho ligado a Vorcaro O que diz a defesa sobre a investigação da PF? Em nota, a defesa de Willer Tomaz disse que "não há que se falar em lavagem de dinheiro".
"Todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária, de forma transparente e rastreável, sem qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos". No posicionamento divulgado à imprensa, a defesa contestou os valores revelados pela reportagem, ainda que tenham sido retirados do próprio processo em que Willer Tomaz pede o ressarcimento das apostas feitas na Blaze. "Não correspondem à realidade".
