Furacão Polo causou inundações na costa leste da América do Norte. Mike Blake/Reuters As mudanças climáticas e o fenômeno El Niño contribuíram para a rápida intensificação do furacão Polo, que atingiu a categoria 5 em apenas um dia no Oceano Pacífico, antes de provocar enchentes e deixar cinco mortos no México, em setembro.

A conclusão é de um estudo de atribuição rápida da World Weather Attribution (WWA), grupo internacional de cientistas que investiga a influência do aquecimento global em eventos climáticos extremos. Segundo os pesquisadores, o aquecimento provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis teve uma influência pelo menos tão forte quanto o El Niño na formação das condições que favoreceram o fortalecimento do furacão.

A análise mostrou que as mudanças climáticas tornaram essas condições cerca de 23 vezes mais prováveis, enquanto o El Niño aumentou sua probabilidade em aproximadamente 14 vezes.

Os números, contudo, se referem às condições ambientais favoráveis à intensidade do furacão, e não à probabilidade de formação da tempestade, tendo em vista que diferentes fatores e consequências relacionados à intensificação do furacão foram identificados pelo estudo, como: 🌡️ O aquecimento das águas do oceano: as águas do Pacífico por onde Polo passou estavam cerca de 1,4°C mais quentes do que estariam em um clima pré-industrial.

🌊 A influência do El Niño: o fenômeno natural também favoreceu o fortalecimento do furacão ao alterar as condições do oceano e da atmosfera. 🌀 O aumento da velocidade dos ventos: as mudanças climáticas aumentaram a velocidade máxima efetivamente atingida pelos ventos do furacão em cerca de 10 km/h, segundo as estimativas.

🌧️ A maior frequência de chuvas intensas: registros históricos indicam que episódios de chuva extrema semelhantes aos associados a Polo ficaram cerca de seis vezes mais prováveis na região analisada, embora ainda existam grandes incertezas. VEJA TAMBÉM: Furacão Polo ganha força e ameaça costa do México O furacão começou a se formar em 20 de setembro e, dois dias depois, atingiu a categoria 5, a mais alta na escala utilizada para classificar esses fenômenos.

Foi um dos processos de intensificação mais rápidos registrados no Pacífico Oriental. Apesar da força alcançada sobre o oceano, Polo perdeu intensidade antes de chegar ao território mexicano. Em 28 de setembro, atingiu a região da Baixa Califórnia Sul como um furacão de categoria 2.

No dia seguinte, chegou ao estado de Sonora, já na categoria 1. Ainda assim, provocou enchentes, deslizamentos, quedas de árvores e danos à infraestrutura. Os pesquisadores destacam que a redução da intensidade antes de atingir a costa, os avisos antecipados e a baixa densidade populacional das áreas afetadas ajudaram a limitar o número de vítimas.

Ben Clarke, pesquisador de eventos climáticos extremos e mudanças climáticas do Imperial College London e um dos autores do estudo, explica que o caso mostra como o aquecimento global pode ampliar os efeitos de fenômenos naturais. "Quando um furacão passa de tempestade tropical para categoria 5 em apenas 24 horas, estamos vendo a força combinada de um El Niño intenso e do aquecimento provocado pelas emissões de combustíveis fósseis", afirmou em um comunicado.

Ele ressalta que, embora a relação entre as mudanças climáticas e o El Niño ainda seja objeto de pesquisas, o fenômeno natural agora ocorre em um planeta mais quente. 🌊 O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Ele altera a circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de chuva, temperatura e formação de tempestades em diferentes regiões do planeta.

LEIA TAMBÉM: Colapso glacial: entenda a formação de geleiras e o rompimento que provocou enchente repentina no Nepal Permafrost: degelo de solo congelado pode ajudar a explicar desastre no Nepal Imagens de satélite mostram extensão do colapso de geleira no Nepal; veja Furacão Polo se fortaleceu rapidamente até atingir a categoria 5. BBC Para chegar às conclusões, os cientistas analisaram as temperaturas do oceano, as condições da atmosfera e a umidade disponível para o desenvolvimento do furacão.

Os pesquisadores também avaliaram um indicador chamado intensidade potencial, usado para estimar a velocidade máxima que os ventos de um ciclone tropical poderiam alcançar em determinadas condições ambientais. A análise mostrou que o aquecimento global elevou essa intensidade potencial em aproximadamente 4 a 5 metros por segundo, o equivalente a cerca de 14 a 18 km/h. Os cientistas também identificaram uma tendência de chuvas extremas mais frequentes e intensas no noroeste do México.

Entretanto, como os modelos climáticos apresentam dificuldades para reproduzir esses episódios na região, não foi possível determinar precisamente quanto das chuvas associadas a Polo pode ser atribuído às mudanças climáticas. Para Ruth Cerezo-Mota, climatologista da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), os resultados reforçam a necessidade de preparar as regiões costeiras para furacões cada vez mais intensos. "Polo foi uma prévia do que pode acontecer.

Precisamos estar preparados para esses eventos, porque talvez não tenhamos tanta sorte da próxima vez", afirma.